A Cura Através do Perdão
O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 5 de junho de 2020
Original tcheco: Uzdravení Skrze Odpuštění · cesta-gralu.cz
Muitos homens na Terra trazem em seus corpos etéreos feridas que foram causadas por seus próximos, assim como eles próprios, por sua vez, causaram feridas a muitos outros próximos
Dessas feridas jorram importantes forças espirituais, das quais, no entanto, cada ser humano individualmente necessita imperiosamente para a sua ascensão à Luz
A longa falta de cura dessas feridas provoca um esgotamento que por fim conduz à completa queda e ao desmoronamento do espírito
As feridas nos corpos etéreos não surgem apenas por meio de um ferimento terreno exterior do ser humano, mas o seu surgimento está sempre ligado à formação de ferimentos interiores que os homens causam uns aos outros, sempre que se prejudicam e se atacam mutuamente por meio de sua sintonia interior malquerente e de maus pensamentos
A raiva, a inveja, o ódio, o escárnio, a alegria com o mal alheio e muito mais, que se desenrolam num plano mais fino do que o mundo de matéria grosseira, tudo isso causa entre os homens graves ferimentos, que exteriormente não se podem observar, mas que tanto mais se manifestam nos envoltórios anímicos mais finos do espírito
Pela sua abertura escoa então a força espiritual, o que enfraquece e esgota muitas almas durante séculos, em sua peregrinação entre as repetidas vidas terrenas e o tempo passado no outro mundo
Muitas das relações pelas quais os homens se encontram na vida atual na Terra com este ou aquele ser humano para vivenciar provêm dessas feridas originais, nas quais ainda não houve um verdadeiro perdão
A causa dessas feridas não curadas é a origem inicial, quando entre determinadas pessoas surgiram momentos em que estas não conseguiram passar de modo puro pelos mais diversos momentos em comum, e com isso foi dado motivo para infligir uma ferida ou mesmo várias feridas
Inúmeros são tais momentos em que alguém causa dano a outro
As mais profundas são as feridas surgidas de fortes vibrações intuitivas de uma irascibilidade imatura, quando rapidamente se exacerba uma atitude que conduz até um ódio implacável
Muitas vezes, porém, tal ferida etérea surge também discretamente, apenas por um desacordo inicial ou por uma atitude diferente em relação a alguma coisa, e, se não se busca uma conciliação objetiva, a atitude de duas pessoas pode por fim abrir-se num grave conflito, que perdura por todo o tempo das repetidas vidas terrenas
Não raro são choques de opinião entre as mais diversas visões da vida e da solução de situações, que surgem quase sempre na convivência de várias pessoas
Quando não se dominam as próprias fraquezas e falhas, dá-se o dilacerar das feridas, quando, por uma pequena causa, mais cedo ou mais tarde, se inflama a irreconciliabilidade das opiniões contrárias, e estas transbordam para o plano pessoal da malquerença mútua ou, pior, para o ódio aberto
Com isso surge algo vivenciado interiormente de modo doloroso, e nessa vivência dolorosa abrem-se feridas profundas que duram por muito tempo
Esse, porém, é um procedimento errado, pois a visão diferente que se tenha com os outros sobre algo deve ser vivenciada pelo espírito humano de tal modo que seja gradualmente superada e posta de lado, curada no reconhecimento e na compreensão de uma visão mais elevada
Para esse procedimento correto, que se pode chamar de desenvolvimento querido pela Vontade de Deus, é necessário trazer em si a paz profunda e uma pura objetividade para com as outras pessoas
Para cada coisa existe uma solução harmoniosa
Isso, porém, exige movimento interior e vivacidade do ser humano, que está sempre pronto a avançar com seu espírito para um novo horizonte de seu conhecimento
Onde falta o horizonte do conhecimento, ali também não pode haver compreensão, e sem compreensão não se pode fechar e curar a ferida
A compreensão só pode vir através da conquista da sabedoria, haurida do verdadeiro saber sobre o sentido da existência do ser humano na Criação
Esse saber deve ser vivenciado em muitas variações e deve, por fim, ser o motivo da clarificação da centelha interior do espírito até a chama do grau humano maduro
E justamente única e exclusivamente a verdadeira compreensão das conexões da vida, a compreensão da diversidade na maturidade dos homens e de muito mais, conduz ao grau que podemos chamar de verdadeiro perdão interior
O perdão é, na realidade, o que há de mais importante com que o espírito humano pode reger todas as relações com as outras pessoas, e por isso ele deveria estar sempre de guarda para que, por falta de vigilância, não ultrapasse o limite além do qual continua a tecer-se uma relação não livre, que conduz à paralisação do espírito em seu caminho ulterior, justamente pela incapacidade de perdoar
A falta de perdão é um agrilhoamento que detém o espírito em seu caminho
A libertação pela qual anseia o íntimo do ser humano exige, através da vivência do perdão, o subsequente desprendimento dos fios, que somente pelo seu afrouxamento oferece um avanço na maturidade, e com isso se dá a cura da ferida
Tem de ser, porém, um perdão verdadeiro, brotado do conhecimento mais elevado do sentido do caminho espiritual do ser humano e do grande amor ao próximo formado a partir desse conhecimento, e não um perdão que é manifestação de indiferença ou de preguiça do espírito
Nisso há uma grande diferença, porque o primeiro traz libertação e ascensão, mas o segundo, mais cedo ou mais tarde, trará apenas a repetição das mesmas vivências
É, portanto, muito importante que, de mãos dadas com o perdão, vá também o conhecimento do verdadeiro sentido da vida, que traz ao espírito progresso e ascensão para a maturidade e a sabedoria
O mundo humano de hoje, porém, não conhece nem sequer o conhecimento do sentido da vida, e muito menos traz em si a capacidade de perdoar aos outros
Por isso é possível ver entre os homens fios a perder de vista, que se estendem entre indivíduos e também entre países e povos
Esses fios emaranhados reavivam sempre de novo velhas feridas, nas quais se perde a força tão necessária para uma vida harmoniosa e alegre
Por causa dessas feridas, muitos adoecem por fim não apenas no corpo anímico, mas por fim também no corpo terreno, que então se debate na incurabilidade, embora fosse fácil ligar à respectiva doença, por meio do perdão, a irradiação da sublime servidora Herfeline, e a cura viria em breve, semelhante a um milagre
O perdão é a chave para a cura de muitos, mas tem de ser um perdão que provém do íntimo do ser humano, sem o resto de uma única parcela de amargura
Também não se pode substituir esse perdão pelo querer de pensamentos do intelecto, mas ele, para ter a força de sanar e com isso de curar, tem de brotar unicamente do mais profundo íntimo do ser humano, e isso, por sua vez, só é possível se este tiver primeiro compreendido e vivenciado o sentido mais elevado da vida
O perdão das falhas dos outros só pode ser alcançado pelo ser humano através do próprio avanço na maturidade
O perdão também não significa, porventura, descuidar da remição das falhas, pois cada falha deve, na medida do possível, ser objetivamente compensada e corrigida, se isso for minimamente possível
Ainda que isso devesse ser apenas simbólico, tal esforço deve sempre brotar do anseio interior de reparar a falha
Muitas das feridas causadas, porém, não se podem compensar de outro modo senão que a vítima primeiro perdoe àquele que causou a dor ou o dano, e só depois se procurem caminhos para a reparação exterior
Se se quiser alcançar a compensação exterior da falha antecipando-se ao perdão, então quase sempre a amargura contida no íntimo do ser humano deixa ainda aberta a ferida anímica, que não se cura
Ficam então presos um ao outro ambos, tanto aquele que causou o dano como aquele que foi prejudicado
Nenhum dos dois pode trazer a cura da ferida, e esta permanece sempre aberta até que, ao menos num dos dois, se dê um avanço interior e com isso a libertação dos fios que prendem
Ainda que à falha se seguisse uma remição exterior, enquanto o perdão não passar pelo íntimo, nada aqui está desatado e a ferida perdura
Emaranhadas e cheias de nós são as redes que se estendem entre os homens em suas vivências, e não é fácil libertar-se delas
Ainda assim, o ser humano precisa começar com isso, se quiser libertar-se interior e exteriormente
Tem de ir ao encontro de tudo o que está diante dele, para encontrar em relação a isso uma nova relação, edificada sobre o conhecimento do verdadeiro sentido da existência
Isso significa que ele precisa saber com seu espírito por que existe afinal e que sentido tem tudo isso
Somente juntamente com esse conhecimento pode vir-lhe a força, na sabedoria e no preparo interior, para perdoar verdadeiramente às outras pessoas o seu proceder
Se não ascender a esse grau, a amargura voltará a ele sempre de novo
Justamente por essa amargura sentida em relação a alguém, ele pode também reconhecer que os fios ainda não caíram e que a ferida perdura
Isso pode experimentá-lo cada um, se apenas quiser julgar honestamente as suas relações com as outras pessoas
De nada adianta também o esforço de pintar tudo isso com outra tonalidade, pois na profundeza do íntimo isso permanecerá
Nem o esforço de se pôr com altivez acima do próximo é uma verdadeira libertação, mas é apenas orgulho, que só por pouco tempo, temporariamente, se sobrepõe à amargura
A altivez e o orgulho perante os outros, porém, nunca curam verdadeiramente a ferida na alma
Esta por fim acabará voltando e arderá com força multiplicada
O verdadeiro perdão só pode vir no conhecimento libertador que traz a verdadeira maturidade e a grandeza do espírito
Jesus falou da necessidade de perdoar aos outros porque, ao contemplar o solo dos homens de então, horrorizou-se com a quantidade de fios dolorosos que se encontram entre os homens uns com os outros
Horrorizou-se quando viu quão pouco tempo os homens têm antes que chegue o Juízo de Deus, que exigirá que os homens nesse tempo estejam livres de todos os fios que os prendem aos outros
Quis ajudá-los e por isso lhes deu todas as Palavras que conduzem ao perdão dos outros
Falou disso nas bem-aventuranças e mostrou que ninguém deve esperar até que o outro comece, mas que o ser humano não deve hesitar nem por um instante e deve começar com o perdão libertador às outras pessoas em seu íntimo
Os homens, porém, quase nada compreenderam disso, e o mundo de hoje está ainda muito pior do que os homens de então
Só aqui e ali encontramos honrosas exceções que agem segundo as Suas palavras
Quem, portanto, se esforça pela verdadeira libertação de seu espírito precisa empreender sem demora o caminho da grandeza interior
Sem o conhecimento das conexões, porém, isso não é inteiramente possível, pois então o ser humano com demasiada facilidade se atola em objetivos secundários em seu esforço na vida
Por mais que dê a esses objetivos palavras elevadas e procure exibi-los como um grande conteúdo de vida para os seus, para o seu povo, ou mesmo para Deus, sempre acabará por chegar a um choque com outros que têm outra visão, e com isso surgem novas feridas
Isso, porém, significa que aqui não existe a verdadeira maturidade e a grandeza da iluminação que deveria estar aqui e atuar como corrente refrescante e auxiliadora para todos os semelhantes
Para onde quer que olhemos à nossa volta, temos aqui multidões daqueles que estão convencidos de ter a capacidade de conduzir os outros para uma vida melhor
Se olharmos, porém, com mais atenção, podemos ver como os seus corpos anímicos estão cobertos de feridas que testemunham imaturidade, pois a sua má vontade em perdoar aos outros é uma imagem nítida da imaturidade de seu íntimo
Com isso fica excluído o ingresso no verdadeiro caminho sob a direção de tais pessoas, porque elas mesmas não são livres em seu íntimo
Somente sempre novas desgraças, no tempo atual muito intensificadas pelo Raio de Parsival que se aproxima, podem resultar do proceder de homens que não são verdadeiramente maduros e livres
Se, porém, alguém vê tudo isso à sua volta, constatará gradualmente que nem ele próprio é melhor do que os outros e que, portanto, o mais importante que está diante dele é o seu próprio trabalho sobre si mesmo
Se ele for honradamente ao encontro de tudo o que está diante dele, no despojar-se de suas fraquezas e imaturidades, então suas feridas interiores começarão a sarar e ele poderá ajudar cada vez mais os outros
Caminhando com confiança na ajuda e no fortalecimento de Deus, poderá então curar-se a si mesmo e, com o seu modo de vida, mostrar aos outros o caminho que conduz à salvação, à elevação espiritual, à Luz
A humanidade hoje está como sobre o fio de uma faca, pois o Raio de Parsival traz a anunciada separação do maduro e do imaturo, do puro e do impuro
Quem não procurar com todas as suas forças os caminhos para conseguir trazer em seu íntimo harmonia e equilíbrio em relação às outras pessoas e ao mundo inteiro, esse se tornará, com a maior certeza, parte do grande turbilhão de acontecimentos, em cujas voltas tudo será submetido à rude pressão do atuar destruidor de Hareiars
Esse turbilhão arrastará para dentro de si cada um que não esteja realmente na vida de modo puro e livre
Já podemos observá-lo em toda parte à nossa volta, basta apenas olhar ao redor
Os fios que se estendem das feridas de um ser humano a outro retesam-se agora sob o aumento da pressão no atuar de Hareiars e exigem ou um acelerado e completo desprendimento no perdão, ou então esses fios se contrairão ainda mais, até o grau que aperta tudo na força de vivências dolorosas sem fim
Não há nada que permaneça no meio-termo e deixe o ser humano em calma, como foi até agora durante longos milênios
Tudo isso é passado, e o acontecer atual traz uma grande mudança na exigência de acertar as próprias falhas e a própria imaturidade
Diante de cada um ergue-se agora a séria pergunta referente ao perdão do ser humano aos seus próximos
Os fios vibram na tensão e insistem: “homem, decide-te”
“Ou a vontade viva de mudar para melhor, para a libertação e a cura, ou o indiferente abandono dos fios ao seu curso, ao seu contrair-se em torno da alma do ser humano, até a sua destruição”
“Ou há aqui a perspectiva da continuação da existência em harmonia com a ordem das coisas de Deus, ou chega o fim de todos os caminhos ulteriores”
Não demos atenção à leviandade das massas que ainda perdura, tenhamos diante de nós apenas o caminho que conduz à ascensão, o caminho que leva adiante através da harmonia, da criatividade e da sábia bondade para com as outras pessoas
A ascensão e a cura do indivíduo e de toda a sociedade repousam no perdão
Quando a humanidade chegar à essência desta grande lei, então virão por fim a esta Terra a paz e a alegria, tal como tudo isso está prometido juntamente com o início da idade de ouro do reino de Deus na Terra
Oxalá se encontre o maior número possível de pessoas que demonstrem que ainda não soterraram de todo em si o seu íntimo puro, o seu perceber espiritual