A Proclamação Oculta dos Planos da Luz – Parte I

O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 29 de junho de 2020

Original tcheco: Utajené Zvěstování Z Úrovní Světla – Část První · cesta-gralu.cz

A vida bem-aventurada nas esferas dos planos espirituais flui numa percepção do tempo e do espaço que está distante de tudo o que é terreno, por isso o espírito humano aqui nas materialidades não pode compreender inteiramente aquilo que é o conteúdo da vida na Luz

Perfeição, plenitude de valor, grandeza – essa sonoridade magnífica perpassa as esferas da Luz

Demasiado estreitada é, em comparação com isso, a percepção daqueles que se encontram na Criação Posterior, pois para eles os mundos em que se encontram são tudo

Na realidade esses mundos dos planos materiais são quase nada

A verdadeira vida, em sua essência plena, começa para o espírito humano no limiar do reino espiritual de seu lar

Nessas esferas há movimento e acontecer constantes, que trazem o vivenciar da mais forte participação consciente no serviço à Luz que flui das alturas do criar divinal

Para que o espírito humano encontre a relação correta com a Criação como um todo, precisa conhecer e compreender ao menos uma pequena parte da grande Graça de Deus, da qual tudo se originou…

Bem-aventurado foi o começo de todo o nascimento dos mundos na Primeira Criação

Tudo estava envolto em magnificência e em constante ligação com a Luz

Por todos os lugares passavam os raios da Luz e preenchiam a vida formada com uma eterna saciedade de alegria

Um plano inclinava-se para o outro e juntos formavam o ponto de partida para o surgimento de outros planos, de esferas mais distantes da Luz

Assim formou-se também o plano dos espíritos, aos quais em parte foi permitido erguer-se imediatamente à sua consciência, e em parte a sua essência precisou de tempo para alcançar a plena maturidade

Eram os últimos dos espirituais criados, aos quais foi permitido habitar com alegria o espaço que se formou a partir da vibração do Amor de Deus

Para além de seu lugar de existência já não havia nada que tivesse força para erguer-se a uma vida consciente

Ainda restava aqui, porém, um espaço no qual a Criação se estendia mais além, antes de alcançar a sua conclusão completa e arredondada

Grande era a divisória que formava uma faixa entre a vida consciente formada nesse plano mais extremo e o limite propriamente dito, que delimitava o espaço no qual ainda estavam contidas as correntes luminosas das forças

Nesse limite distante estão, desde o começo da Criação, entes gigantescos, um encostado ao outro, e com os seus escudos unidos uns aos outros separam a Luz das trevas sem vida

Assim foi o começo da obra da Criação, na qual toda a vida que se erguia à sua existência encontrava unicamente alegria e o constante cumprimento da bem-aventurança

Assim era o espaço delimitado pela própria Vontade de Deus, que criou o lugar no qual a vida das criaturas conscientes de si florescia alegremente e, em jubiloso cântico de louvor, glorificava o Criador

A Sabedoria de Deus Pai delimitou o espaço no qual foi estabelecido até onde deviam chegar os raios criadores da Vida, para que o enteal e o espiritual, que se erguiam nos diversos planos da Luz, pudessem permanecer perfeitos e íntegros em seu tornar-se consciente

A corrente da Bênção luminosa fluía em pulsações regulares pelos planos e preenchia a confirmação da promessa da eternidade, que descia para toda a vida à medida que essa vida chegava à sua consciência

Os afluxos de forças que se derramavam da taça cheia do Graal perpassavam repetidamente, num ritmo benfazejo, os planos e traziam sempre revigoramento suficiente para cada um dos habitantes da obra da Criação

Tudo fluía em magnificência, num tecer jubiloso, sob o canto alegre dos primordialmente criados e dos criados, e Deus Pai alegrava-Se com a obra que se ergueu pela intercessão dos eternos que habitam o Seu reino divinal acima da Criação

O Seu Olho onissapiente olhava para a vida nos planos da Criação virginalmente transparente e, em Sua onisciência, resplandecia com Amor benevolente sobre a obra recém-formada

A obra que surgiu era boa e trazia o fruto bem-aventurado da alegria e da plenitude de valor

Parsival, que se ergueu juntamente com essa nova obra como o primeiro servidor consciente na Criação, que traz em si a ligação direta com uma parte da Vontade do próprio Pai, estava em seu começo semelhante a um jovem, trazendo em si uma juventude na qual se refletia justamente a brevidade da duração de toda a Criação

A Sua presença possibilitava que sempre, após algum tempo, se cumprisse o mistério do Afluxo de nova Força divinal na Criação, para a sua manutenção para a existência ulterior

Ao afluxo da Luz, sempre que perpassava os planos, seguiam-se os hinos de louvor dos criados, nos quais, por esse afluxo, era permitido à força renovar-se e ao seu apego à vida reavivar-se

A renovação das forças trazia fortalecimento para um novo tecer de serviço na Criação

Sempre há dessa força o suficiente para cada criatura e, após o preenchimento do plano mais distante, essa força transbordava então como fortalecimento também para as gigantescas figuras dos servidores que montam guarda nos próprios limites da obra da Criação

Nos lugares onde terminava aquele plano mais distante, essa força destinada aos servidores gigantescos passava, ao fazê-lo, por lugares onde, desde o começo da conclusão do plano mais extremo, se estendiam as nebulosas suavemente luminosas da espécie espiritual restante, da qual já nenhuma vida podia erguer-se à sua consciência de si

E sempre que a força transbordava sobre essas nebulosas que se estendiam até as lonjuras, ressoava nelas um suave murmúrio e som

Era o precipitado espiritual que se encontrava nas nebulosas, fortalecido pela corrente luminosa vinda do Graal, que estremecia em seu anseio de participar na vida da Criação

Mas a força da Luz em redor era demasiado avassaladora para esse estremecimento, para que o espiritual, que se estendia nas nebulosas como uma irradiação a tremeluzir aqui e ali, pudesse desenvolver-se até uma consciência duradoura de si mesmo

Sempre de novo aquele som e murmúrio vibrava num novo afluxo de força das alturas, quando a força fluía por esses lugares

As delicadas luzinhas tomavam fôlego para existir, mas não tinham força para prosseguir em seu tornar-se consciente e assim silenciavam de novo em seu ansioso chamado pela vida

Assim, repetidamente, nos afluxos da bênção revigorante, na descida da Força de Deus à taça do Graal no ápice da obra da Criação, quando essa força passava por essas nebulosas, ressoava de novo o ansioso chamado do querer espiritual inconsciente

Aos primordialmente criados e aos criados foi permitido ouvir de tempos em tempos esse chamado, e brotou neles o anseio de ajudar essa silenciosa súplica do precipitado espiritual, ajudá-lo a progredir em seu tornar-se consciente

Inclinavam-se para esses lugares e fortaleciam-nos com os seus pensamentos plenos de amor, para uma vontade mais elevada em direção à referida consciência de si das luzinhas espirituais

Reconheceram, porém, que eles mesmos não podiam ajudar suficientemente o espiritual que se encontrava nas nebulosas e assim formou-se neles uma súplica a Deus Pai, para que fosse encontrado por Ele Mesmo um caminho para o desenvolvimento ulterior das partículas espirituais que se encontravam nas nebulosas distantes

O silêncio pleno de paz e sábio da Vontade de Deus foi-lhes, porém, a resposta

A Onissabedoria de Deus Pai via o desenvolvimento de todos os caminhos que se ofereciam

A Criação foi formada na mais alta plenitude de amor como uma perfeita integridade

A toda a vida foi possibilitado erguer-se para a vida

Nas nebulosas encontrava-se apenas uma irradiação remanescente, o mais fraco do espiritual, uma vibração imperfeita, incapaz de vida própria na força da Luz que preenchia todo o espaço da Criação

Não devia haver nada além daquilo que já estava criado

O imaturo remanescente, aquilo que não era capaz de alcançar a consciência de si por si mesmo, em seu desenvolvimento até a plenitude nos planos da Luz, não devia, não podia ser parte da obra primordial da Criação de Deus

Tudo isso era possível ouvir no silêncio que descia das alturas, do trono de Deus

As eras continuaram a fluir e a vida na obra da Criação florescia, e cada instante do vivenciar fazia as criaturas em todos os planos vivenciar o cumprimento de sua participação

Os espíritos primordialmente criados e os criados aceitaram em gratidão e em sabedoria a espera por uma solução vinda de Deus Pai e alegravam-se com a existência presente

De tempos em tempos um dos espíritos olhava para baixo, para as nebulosas, e enviava de si a sua parte de paciente expectativa aos lugares onde se ouvia o silencioso chamado pela vida

E de repente propagou-se pelas esferas a luminosa notícia do plano de Deus

Estava sendo preparado um novo anexo da obra da Criação

Trazia o nome “Criação Posterior”

Miríades de entes puseram-se ao trabalho

Mensageiros luminosos traziam das alturas uma notícia após outra

Então, primeiro, as fileiras dos gigantescos guardiões do espaço luminoso na Criação deslocaram-se e afastaram-se por extensões a perder de vista, para que no espaço assim surgido pudesse erguer-se e formar-se de modo inteiramente novo a Criação Posterior

Tecido a partir das súplicas amorosas e solidárias dos espíritos primordialmente criados e dos criados, foi criado primeiro o anexo da própria ampliação no plano espiritual

Assim surgiu primeiro a Ilha Azul como lar espiritual dos espíritos bem-aventurados e desenvolvidos, que nela um dia deveriam encontrar gradualmente o seu verdadeiro campo de atuação na obra da Criação

Uma ilha de paisagens magníficas, de jardins iluminados pela Luz, cheios de plantas fabulosas e de muitas águas

Criaturas enteais de beleza diamantina em formas animais passeavam aqui no feliz encontro de sua vida nesses lugares

Os criados e também os primordialmente criados vinham a esses lugares para insuflar em todas as partes da ilha a vida que conheciam dos lugares de seus próprios lares

Então formou-se no meio das paisagens e dos jardins da ilha uma cidade cujos confins não se podiam avistar

Era a abençoada Cidade das ruas de ouro

A Jerusalém espiritual, a cidade das cidades dos espíritos humanos

Esse lugar tornou-se o ponto de partida de tudo o que é magnífico para os espíritos desenvolvidos, aos quais um dia, muito depois de sua formação, seria permitido entrar nesses lugares do lar espiritual

Alguns dos criados, alegrados pelo resultado abençoado, começaram com alegria a habitar nas ruas da cidade e de seus pensamentos, em colaboração com os primordialmente criados, formou-se no lugar mais alto da cidade um templo que se enchia dos sons de louvor por eles trazidos para a fervorosa adoração do Criador

Esse templo, que em seu lugar distante, no cimo da Ilha Azul, se tornou uma viva imagem real que trazia em si o reflexo do Burgo do Graal no ápice da Criação Primordial, tornou-se o templo da Luz para todos os que lá habitavam

A Ilha Azul uniu-se, por meio desse templo, às demais esferas da Luz, tornou-se parte delas, vibrando em sua bem-aventurança na borda mais baixa da Criação

Tudo crescia e se fortalecia em bem-aventurança e não tinha limites no que dizia respeito à beleza e à magnificência

Nos jardins que circundavam o templo consagrado pelos criados aos serviços de ação de graças ao Altíssimo brotaram as fontes de rios que corriam para todos os lados, atravessavam os lagos e mares que se formavam e chegavam até a própria borda do bem-aventurado anexo espiritual

Nas ruas da cidade, entre magníficas e vastas construções de dimensões incompreensíveis, que brilhavam como se fossem de vidro de ouro líquido, rodeadas de flores de cores e perfumes delicados, ressoou a vida harmoniosa dos espíritos criados, repleta de uma misteriosa espera pelos novos habitantes, que em breve haveriam de pôr-se a caminho de seu amadurecimento

A esse momento, porém, tinha ainda de preceder o grande criar e edificar das esferas nas quais as centelhas haveriam de conhecer a vida da Criação com as suas grandes Leis, que trazem em si a Vontade de Deus

Assim ressoou num determinado tempo pelas esferas o poderoso som “Faça-se a Luz para a Obra Posterior”

Das alturas primordialmente criadas desceu o raio de Mercúrio, e um pouco mais abaixo da Ilha Azul dos bem-aventurados irrompeu nas nebulosas uma poderosa Luz, destinada a ser o fundamento e o ponto de partida das forças para a edificação da Obra Posterior

Na poderosa atuação do raio do fiel servidor primordialmente criado ergueram-se à consciência Valhalla e os seus habitantes, os altos servidores enteais

As forças que jorravam espalhavam-se até as lonjuras e, semelhantes a nebulosas que se condensavam e rolavam, formavam os fundamentos dos planos que deviam começar gradualmente a desdobrar-se e a florescer, para que lhes fosse permitido depois receber em seus braços as primeiras centelhas espirituais luminosas

Poderoso, inimaginável para a consciência humana, foi esse acontecer da edificação dos mundos da Criação Posterior, que em si mesma ultrapassa a possibilidade de ser abrangida pela percepção terrena das dimensões

Então foi possível ouvir o suave sussurro dos anjos das esferas divinais:

“A obra que se ergueu para a vida está formada a partir do incompreensível Amor divinal”

“É uma obra magnífica, nascida da alegre fidelidade dos servidores”

“Mas permanecerá para sempre muito distante da própria Origem”

“Por isso nunca terá em si a perfeição da Primeira Criação, pois esta Obra Posterior é de outra espécie”

“É apenas uma obra temporária, que precisa de muitos fios de amor de todas as criaturas na Criação para se manter em vida”

O sussurro extinguiu-se no silêncio, no qual vibravam o saber e o conhecimento dos fios do desenvolvimento

Depois de um tempo de grande edificação, quando as forças das Altas forças enteais, conduzidas pelo radiante servidor O-dio-nar, criaram uma obra magnífica que brilhava em virginal saúde e pureza

Em silêncio circulavam os mundos da Criação Posterior e aguardavam outras ordens

Sob o trabalho dos altos servidores enteais foram gradualmente formados os mundos, e das materialidades emergiram as sete comunidades de mundos – Smyrna, Thyatira, Philadelphia, Ephesus, Laodicea, Pergamos e Sardis

Em silêncio circulavam esses mundos nos caminhos para eles determinados na Criação Posterior e aguardavam outras ordens

Então desceu de novo das alturas um som suave

“Santo é Deus, que derrama o Seu Amor na Criação”

“Santo é o Senhor, pois o Seu Amor não conhece fim e encontra sempre novos caminhos”

“Ouvi o grande chamado que forma as condições para esta Obra Posterior que acaba de surgir”

“Aqueles que peregrinarem por esses mundos em busca da maturidade precisam, a tempo, libertar-se de seu aperto por meio de sua irradiação, pois na renovação da Obra Posterior estará contida, para tudo o que lá habita, a transitoriedade da duração”

“O surgir e o perecer farão parte da vida nesses mundos”

“Cada começo terá aqui também o seu fim”

“Tudo o que, por sua origem, surgir do pó desses mundos tornará a ser esse pó”

“Começo e fim, nascimento e morte caminharão aqui lado a lado”

“Que ninguém procure aqui a permanência, que ninguém queira permanecer aqui mais tempo do que necessita o teu tempo de amadurecimento”

“A obra é bem-aventurada, mas é um rebento que cresceu para além do próprio fim do último ramo portador da árvore da Criação”

“Por isso será frágil demais para se manter e a qualquer momento pode ser quebrada, para que pereça”

“Vigilantes, muito vigilantes sede vós, espíritos em desenvolvimento, que desceis a essas comunidades e aos seus mundos para alcançar a vossa maturidade”

“Ninguém deve deter-se nem por um instante nas profundezas das materialidades, mas precisa olhar sempre apenas para a frente, fixar o seu olhar na Luz para o puro fortalecimento de sua centelha interior”

“Lembrai-vos de que fostes enviados do Paraíso para cá, para estas regiões, para encontrar e reconhecer o vosso Senhor e para assimilar a Sua Vontade, que se encontra em todo o acontecer conforme às leis ao vosso redor”

“Procurai e reconhecei a Vontade de vosso Criador”

“Pelo reconhecimento dessa Vontade deveis um dia retornar ao vosso verdadeiro lar do espírito, que vos espera”

Então fez-se silêncio, e nas novas esferas formadas pelos Altos servidores enteais começaram a descer suavemente as primeiras centelhas, que foram libertadas das nebulosas para que lhes fosse permitido começar o seu caminho de retorno ao lar espiritual da Ilha Azul dos bem-aventurados

E mais uma vez ressoou o suave chamado dos anjos

“Eis que saiu o Grande Semeador”

“Os grãos luminosos das centelhas mergulham nas nebulosas para encontrar o seu caminho”

“Muitos serão os grãos, mas nem todos germinarão, e aos que germinarem na profundeza dos mundos ameaçará que, em seu amadurecimento, ainda sequem ou sejam atacados pela podridão, pois em seu caminho se cansarão e desfalecerão”

“Ó, como será a colheita, Pai, só Tu Mesmo o sabes”

“Atentai à bondade de Deus e procurai o caminho para o vosso lar, o bem-aventurado reino do Paraíso espiritual”

Depois dessas palavras cobriu-se a imagem de todas as esferas da Obra Posterior com uma delicada névoa nebulosa, que deixou os mundos lá no fundo entregues ao seu desenvolvimento