A Proclamação Oculta dos Planos da Luz – Parte Ii

O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 6 de julho de 2020

Original tcheco: Utajené Zvěstování Z Úrovní Světla – Část Druhá · cesta-gralu.cz

Silenciosa e suavemente voavam as pequenas centelhas de origem espiritual para fora da faixa mais inferior do plano espiritual, a fim de mergulharem nas nebulosas das esferas finas das materialidades

Semelhantes a flocos de neve luminosos, afundavam nas profundezas, e seu brilho gradualmente se perdia à medida que a seu núcleo se uniam, semelhantes a mantos, os envoltórios das diversas materialidades

Por fim, já habitava um grande número delas nos jardins, onde, das primeiras centelhas espirituais, conscientes de si apenas em pequena parte, se tornavam crianças anímicas de tenra idade

Então veio o primeiro chamado das alturas da Criação, destinado a criados escolhidos, pois eles deviam, com sua força e com seu saber, conduzir as jovens almas nos mais densos envoltórios das materialidades, que para elas já haviam sido preparados de antemão

Com leveza e com jubiloso cântico, os servidores de forte brilho mergulharam, em distribuição uniforme, nas comunidades de mundos que giravam em espiral

Atravessaram rapidamente as esferas das materialidades finas e com confiança entregavam-se às mãos dos servidores enteais, que já tinham experiência com o encarnar nas materialidades grosseiras, desde a anterior ligação das almas animais mais elevadas

Os servidores criados acolheram conscientemente os envoltórios dos corpos densos e, em seu despertar dentro deles, traspassavam com o brilho de sua força espiritual plenamente consciente esses invólucros ainda imaturos, a fim de elevá-los rapidamente mais alto e assim enobrecê-los até as imagens do espírito nas esferas luminosas

Assim foi ancorado gradualmente em todas as comunidades de mundos o início do ciclo da estirpe espiritual

Em todos os planetas de matéria grosseira para isso destinados por uma sabedoria mais elevada, surgiram tribos de seres humanos e começaram a formar comunidades, nas quais a sempre novas almas jovens para isso amadurecidas foi permitido encarnar-se gradualmente

Nas comunidades que circulavam levemente, isso era fácil e se dava depressa, nas comunidades que circulavam em maior densidade, porém, levou mais tempo até que o invólucro terreno pudesse ser chamado de enobrecido no sentido espiritual

Por fim, porém, em todos os lugares também o desenvolvimento de matéria grosseira dos invólucros pôde ser chamado de concluído e maduro a tal ponto que estes servissem puramente ao espírito humano para o seu sadio desenvolvimento

Semelhantes a vasos claros e imaculados, sob a direção das servidoras enteais, os ventres de felizes mães terrenas de origem espiritual ofereciam delicados corpinhos, para que estes pudessem tornar-se a morada terrena temporária das almas recém-chegadas, ansiosas por seu desenvolvimento

A primeira parte da grande obra que auxiliava as centelhas espirituais em seu tornar-se conscientes, em seu encetar do caminho de volta ao lar, estava realizada

Muitos criados já haviam regressado às esferas radiantes de seu lar e aqui, revigorados pela Luz onipresente e pela leveza das esferas espirituais, puderam partilhar com seus companheiros o vivenciar das materialidades

Em sua jubilosa descrição dos caminhos vivenciados através da Criação Posterior, todos se alegravam por lhes ter sido permitido regressar ao ambiente luminoso na Criação espiritual, e glorificavam o Criador por sua ajuda em seus caminhos

Então espalhou-se gradualmente por toda a obra da Criação o conhecimento das distâncias das materialidades em que se encontravam as centelhas espirituais em seus caminhos através das materialidades

Um novo envio de luminosas correntes de forças brotou do querer auxiliador dos criados e dos primordialmente criados nas alturas da Luz, para apoio e fortalecimento das centelhas humanas que se elevavam lentamente para o alto nas densidades das materialidades

Ao longo dessas correntes auxiliadoras, desceu novamente às materialidades uma multidão de corajosos servidores criados, que vivenciavam sua tarefa como a mais elevada dedicação ao serviço do Criador

A fervorosa ajuda aos espíritos humanos em desenvolvimento era forte, e ao longo do raio de ajuda amorosa desciam às materialidades muitos servidores que haviam sido chamados da Luz para a obra de auxílio

Também desta vez foram especialmente preparados para suas tarefas nas materialidades, e seu próprio saber recebeu com isso muitas novas dádivas da Luz

Alegremente ingressavam em suas tarefas, muito distantes do luminoso ponto de partida de onde vinham para as materialidades

Agora, porém, já demorava mais até que a muitos desses servidores criados fosse permitido ascender de novo ao seu lar na Luz

Cansados, estendiam sedentos a mão, em seu regresso, ao refrigério das fontes espirituais da Luz, pois a densidade das comunidades que circulavam embaixo, na Obra Posterior, parecia-lhes agora muito opressiva, e dessa densidade decorria uma imperfeição cada vez maior das partes mais pesadas, que muitas vezes os retinha por mais tempo do que esperavam

Começaram também a chegar as primeiras notícias de que muitas centelhas espirituais que se desenvolviam nas materialidades desfaleciam e resvalavam para o sono

No tempo de suas repetidas encarnações na mais grosseira materialidade, as almas humanas tornavam-se cada vez mais tíbias em seu contentamento com o esplendor e com a bênção dadivosa das materialidades grosseiras, que ao redor delas transbordava por meio do fiel tecer dos servidores enteais, e no encantamento por essa beleza terrena esqueciam o verdadeiro sentido de sua existência

Ao mesmo tempo, porém, algumas centelhas, mais vivas e mais maduras em si, começavam gradualmente a ascender cada vez mais alto nos jardins etéreos, e o seu brilho se intensificava

Imensa alegria provocou essa ascensão das primeiras almas, já quase maduras e plenas de sabedoria, às quais foi permitido deleitar-se bem-aventuradamente nos planos luminosos das materialidades etéreas

Muitas centelhas, porém, ainda tinham sempre de voltar, mesmo dessas campinas inundadas de luz, às materialidades grosseiras, pois sua maturidade necessitava de mais vivências, e muitas almas também já tinham muito a depor daquilo que haviam enfiado em seu fio do destino desde o início de seus caminhos, ao atravessarem justamente as materialidades mais grosseiras

Não eram faltas graves, mas ainda assim também estas precisavam ser vividas até o fim e compensadas nas materialidades grosseiras, onde haviam despertado para a vida

Isso significava, para muitas almas nas luminosas materialidades etéreas, atravessar de modo puro a vida seguinte, sem vacilar

Com coragem, as almas felizes mergulhavam dos luminosos jardins etéreos para baixo, nas densidades da matéria grosseira, a fim de depor também o último resto que ainda as retinha em seu caminho para o seu lar, para a Ilha Azul na esfera espiritual da Criação

Juntamente com elas desceram de novo, numa nova onda de ajuda, muitos criados, para conduzir essas almas de claro brilho, nas materialidades grosseiras, a um reconhecimento mais elevado do Criador e de Sua magnífica Primeira Obra da Criação, que se encontra muito acima da obra posterior das materialidades

Deviam acender um anseio inextinguível por esses lugares da Criação espiritual, para que as almas humanas se ocupassem intensamente com pensamentos dirigidos a essas magníficas esferas do espírito

Contudo, os caminhos dos auxiliares criados em corpos de matéria grosseira já não eram agora tão leves

Muito da irradiação materialmente humana das centelhas em desenvolvimento, que nesse ínterim se haviam ligado estreitamente às materialidades e nelas encontravam cada vez mais o seu prazer, prendia-se agora também às vestes dos criados encarnados, e somente o seu mais elevado esforço os protegia a eles mesmos do insidioso comodismo espiritual

Os precipitados das comunidades de mundos começaram gradualmente a afastar-se cada vez mais uns dos outros, e somente as três que circulavam mais alto possibilitavam maior permeabilidade ao progresso espiritual das centelhas

Somente a essas comunidades podia chegar gradualmente um saber cada vez mais elevado sobre a obra da Criação, sobre Deus e também sobre Parsival como o rei prometido do Graal

Abaixo dessas três comunidades, com esforço, semelhante a mel que escorre lentamente, transbordava e girava a comunidade de Ephesus

As três comunidades restantes adensavam-se cada vez mais, e o movimento dentro delas era penoso e árduo para todo esforço espiritual

Os servidores criados que regressavam aos planos luminosos agradeciam a seus luminosos companheiros e auxiliares por estes os terem fortalecido e amparado durante todo o seu tempo, quando eles mesmos peregrinavam pelas materialidades em corpos densos

Agradeciam fervorosamente à Sabedoria de Deus, que muitas vezes se lhes revelava semelhante ao fulgor de um farol luminoso na penumbra da disposição de pensamentos das materialidades grosseiras, farol que os guiava para que eles mesmos não se extraviassem em meio à grande ignorância de muitos desenvolvidos que os rodeavam nas densidades da matéria

Muitos falavam também de que o seu próprio saber já não bastava para transmitir aos desenvolvidos força penetrante suficiente para dirigir para o alto as hesitantes centelhas espirituais

Essas notícias pareciam incompreensíveis àqueles que permaneciam nos planos luminosos e que, com sua atuação, faziam incandescer e mantinham a Ilha Azul como o lar espiritual, em cujos espaços chegavam gradualmente os primeiros espíritos bem-aventurados, aos quais fora permitido completar o seu desenvolvimento e que de centelhas espirituais se haviam desenvolvido em resplandecente chama espiritual

No lar espiritual, porém, entravam somente espíritos que vinham das três comunidades de mundos que continuavam a circular mais alto na obra posterior da Criação e às quais também já fora permitido receber o elevado reconhecimento do Criador e de Seu Filho que atua no Graal

Das demais comunidades chegavam pouquíssimos espíritos maduros, ainda que apenas aos luminosos jardins etéreos, que se encontravam ainda muito abaixo do Paraíso

A densidade dessas comunidades tornava-se cada vez mais pesada e mais impenetrável para tudo o que era mais luminoso e mais leve

Nesse esforço das hostes de auxiliares criados, plenas de fervorosa ajuda, desenrolaram-se segmentos inteiros da história das materialidades, que naqueles planos eram contados em dezenas inteiras de milênios

Paciente e fielmente fluíam para baixo, às profundezas, as grandes ajudas dos criados, até que aconteceu algo que fez estremecer todos os espíritos nos planos luminosos

Pela primeira vez nem todos os servidores criados regressaram dessas comunidades

O seu caminho tornou-se mais difícil e, em vez de, concluída sua tarefa, ascenderem de novo com leveza à Luz, permaneceram nos mundos anímicos etéreos, pois a sua veste desses planos estava coberta de atos que haviam cometido, e a Lei da Reciprocidade não lhes permitiu partir antes que tivessem apagado com força multiplicada esses seus atos

As ajudas de muitos de seus irmãos luminosos foram dirigidas a esses servidores, e somente com o mais elevado esforço foi possível que, após repetidas encarnações, se libertassem e pudessem regressar à Luz

Uma fervorosa prece pedindo a ajuda do Criador elevou-se às alturas, saída dos corações dos criados e dos primordialmente criados

Era uma súplica que trazia em si a resolução de servir e que ao mesmo tempo estava plena do saber de que, se as centelhas espirituais na Criação Posterior haviam de ser auxiliadas em seu fortalecimento e refrigério, então somente força e sabedoria de espécie divina podiam ser nisso supremamente eficazes como ajuda

Enquanto as súplicas dos criados e dos primordialmente criados subiam para serem ouvidas por Deus Pai, embaixo, no ciclo das comunidades de mundos, transcorriam de novo milênios inteiros

Na imperfeição que se manifestava na vida densa, avançava o esquecimento dos mundos mais elevados, e muitas centelhas chegavam a esquecer até a sua própria origem espiritual

Na repetição das vidas, perdia-se a clareza original da existência, e tudo se ancorava cada vez mais apenas na realização da vida nos mais grosseiros envoltórios dos mundos materiais

O sussurrante chamado no surgimento da obra posterior, que descia do trono de Deus, tornava-se realidade

Então desceu das alturas uma mensagem do próprio Deus Pai

“Esperai, pois quando chegar a hora do Filho do Homem, Ele se porá a caminho através de todos os planos da Criação. Trará a força para a libertação daquilo que é puro e bom e separará aquilo que se deteve e se corrompeu”

As palavras da grande promessa eram acompanhadas pelo chamado dos arcanjos que glorificavam a sabedoria do Deus Santo

“Ouvi, agora foi enviado, dos degraus sob o trono de Deus, ainda um outro auxiliar destinado à obra da Criação Posterior

Enviado das esferas divinas, da hoste dos arcanjos, esse mensageiro trará a forte Luz do reconhecimento às centelhas espirituais que habitam nas baixadas, para que estas possam caminhar mais conscientemente por seus caminhos”

Um jubiloso estremecimento penetrou no íntimo dos que suplicavam, os servidores daqui, assim como os arcanjos e os anjos, louvavam o Criador e Sua sabedoria, que encontra caminhos

Dos portais das esferas divinamente enteais saiu uma irradiação da Luz, que foi enviada em auxílio

Através dos planos da Criação, desde as esferas mais elevadas, voou para baixo um raio semelhante a um sol resplandecente

O Portador da Luz, enviado da hoste dos arcanjos de Deus, apressou-se às profundezas para assumir a sua tarefa, que lhe fora confiada por Deus Pai

A alegria permeou os planos luminosos

Agora tudo parecia sabiamente disposto

O Portador da Luz mergulhou no espaço que rodeava as comunidades na Criação Posterior

O seu claro brilho trouxe rapidamente um despertar para todas as criaturas nas materialidades

Jubilosamente Valhalla saudou esse resplandecente mensageiro das alturas divinas, e muitos servidores enteais o seguiram imediatamente, auxiliando obedientes o seu fulgor

Agora começou nos mundos materiais um novo movimento ativo, e tudo começou imediatamente a elevar-se a uma consciência mais elevada

A grande edificação trouxe um desdobramento de culturas como até então nunca houvera nas materialidades

Os servidores enteais, em auxílio ao forte portador da Luz, ajudavam com os seus dons a construir obras grandiosas para o espírito humano

Tudo aquilo a que o arcanjo resplandecente juntava a sua parte de força divinamente enteal florescia e se desenvolvia impetuosamente para a frente

Era como quando, na primavera, o sol com nova força ilumina o solo esfriado após o inverno, que até então jazia quase sem vida à espera de sua chegada

O solo das materialidades aqueceu-se até a incandescência, e as sementes espirituais que se encontravam nas materialidades brotaram em seu crescimento para o alto, ao encontro daquele que trazia em si os raios vivificantes da Luz

De novo passaram eras nas materialidades

Durante esse tempo as materialidades se reanimaram e se elevaram a um grande florescimento

Sobretudo quatro comunidades, que até então só penosamente avançavam em seu desenvolvimento, fizeram um progresso sem precedentes

As centelhas espirituais que se encontravam em corpos de matéria grosseira saltaram para a frente em seu reconhecimento e enobreceram muito do que até então permanecera simples em sua simplicidade

A multiplicidade da desenvolvida cultura material dos povos, em beleza e simetria, revigorou os desenvolvidos, e eles se tornavam mais sábios e mais iluminados

O Portador da Luz tornou-se para eles conselheiro e guia, a quem veneravam e junto a quem sempre se refugiavam em busca de conselho

A Luz que dele irradiava guiava os mais elevados espíritos sábios desenvolvidos nas materialidades, e estes começaram a chamá-lo de deus Sol, que tudo ilumina por meio de sua radiante grandeza e poder

E o Portador da Luz aceitou essa veneração e acarinhava aqueles que se voltavam para ele em súplicas e agradecimentos

Inclinava-se para os que o veneravam e dava-lhes a conhecer o seu favor através do êxito e da realização em tudo o que lhe pediam

Precisamente naquele tempo, pela primeira vez, atravessou os salões de Valhalla um estranho estremecimento, em cujo eco ressoava um lampejo de recusa

Apesar desse estremecimento, porém, todos os Altos servidores enteais permaneceram a serviço, auxiliando esse mensageiro, e continuaram a cumprir as tarefas por ele solicitadas

Continuavam a realizar em suas atividades, por ordem do Portador da Luz, acontecimentos que aos espíritos humanos pareciam realizações fabulosas e milagres

Somente o sublime O-dio-nar, que, por meio do raio direto de sua origem, trazia em si a ligação com o primordialmente criado Mercúrio, permanecia solitário nos salões de Valhalla e tornou-se grave

O seu olhar via mais do que aos outros servidores enteais era permitido ver

Era um estranho matiz de brilho que agora se encontrava em torno daquele grande e resplandecente mensageiro das alturas

Sempre que O-dio-nar fielmente olhava para o alto, via descer até ele, das alturas, desde os degraus do Burgo do Graal, um brilho diferente daquele que emanava cada vez mais do fulgor do Portador da Luz

A diferença de brilho era apenas pequena, mas não escapou à percepção de O-dio-nar

Assim, pois, o sábio O-dio-nar enviou o seu Phermos para o alto com a inquietante notícia e com o pedido de conselho

Silencioso, regressou das alturas o seu fiel mensageiro, deslizando apressadamente para baixo ao longo do raio de Mercúrio

Nos salões do Graal, na proximidade de Parsival, já também fora notado no Portador da Luz o seu desvio do brilho original que os arcanjos trazem em si em sua íntegra dedicação a Deus

Então O-dio-nar enviou de novo Phermos para o alto, pois queria saber qual era a causa dessa mudança

“O tornar-se consciente da própria grandeza” foi a notícia que trouxe agilmente o jovem com as sandálias de prata aladas

O-dio-nar mandou soar as poderosas trombetas, para convocar aqueles de seus servidores que naquele momento não estavam com ele em Valhalla

Tinha para todos uma grave mensagem das radiantes alturas do Graal

Os servidores atenderam ao chamado de O-dio-nar e, em expectativa, encheram os salões de Valhalla

Inclinando-se diante do sublime O-dio-nar, pressentiam que não teriam sido chamados sem um motivo grave

Um estranho tremor, na expectativa de algo importante, percorria todos os presentes

O-dio-nar ergueu-se em seu degrau, sobre o qual estava o seu poderoso assento, e preparava-se para falar

Naquele instante, porém, Valhalla encheu-se de um fulgor ofuscante

No salão entrou o Portador da Luz

O seu rosto resplandecia com um brilho de espécie poderosa, e diante dele até o próprio O-dio-nar parecia agora apenas um pálido reflexo da ofuscante estrela divina que o Portador da Luz trazia na fronte

“Se quiserdes seguir-me, segui-me então” ressoou pelo espaço a sua voz “Far-vos-ei ainda mais poderosos do que agora sois, e os desenvolvidos vos venerarão como divindades. Governá-los-eis em minha força”

Um profundo silêncio espalhou-se pelo salão

Então desceu das alturas um raio e, semelhante a um relâmpago, atravessou a figura de O-dio-nar

O fulgor do fiel administrador de Valhalla, fortalecido por Mercúrio, tornou-se mais claro e resplandecia cada vez mais

Os seus fiéis foram arrebatados pela magnificência que dele emanava e, embora fosse diferente do resplendor que emanava do Portador da Luz, era-lhes próxima e despertava neles alegria e entusiasmo

“Quem és tu, que nos queres conduzir” trovejou a voz de O-dio-nar

“Há somente Um, a quem conhecemos e a quem honramos acima de tudo”

“É o Pai primordialmente eterno e luminoso, que reside no alto, em alturas inatingíveis para quem quer que seja”

“Somente de Sua Vontade todos nós surgimos para a vida”

“Ele é o Criador de tudo e de todos”

“Também tu mesmo não és mais do que seu servidor”

“Escuta fielmente a Ele, como convém a cada um que Ele criou, ou então deixa este sagrado salão, que serve unicamente a Ele e também a Seu Filho luminoso no burgo radiante, e a nenhum outro”

“Lembra-te de que nós aqui, em bem-aventurança, permanecemos fiéis servidores de nosso sublime Soberano e Doador de Toda a Vida

Dele haurimos a força sem a qual nada somos,

“Ouves tu, ó presunçoso, por nós mesmos não somos ninguém, só nos é permitido ser aqueles que somos enquanto permanecermos Seus fiéis servidores”

Em silêncio extinguia-se o trovão que acompanhara o bramido de O-dio-nar

Uma poderosa tensão permeou o espaço

O que foi falado por O-dio-nar abalou o Portador da Luz, e pelo seu rosto passou um lampejo de luta interior, pois, sob a impressão das palavras que se haviam extinguido, ressoou em seu íntimo uma suave lembrança do bem-aventurado e devotado serviço, quando ele mesmo se sentia nada diante da grandeza do brilho divino que fluía para os arcanjos desde o trono do Criador

A luta, porém, foi breve, e venceu a recusa

No arcanjo vibrava a ira contra esse estranho povo de servidores, que haviam surgido para a vida em tão grandes distâncias do trono de Deus

Haviam surgido para a vida somente aqui, neste estranho plano pálido, que chamavam de sua terra natal, e ainda assim querem instruí-lo sobre aquilo que ele conhece muito melhor do que eles

Ele, afinal, conhece a Luz melhor do que qualquer um aqui

Uma parte dessa Luz está nele, ele é o que brilha mais fortemente aqui, nesta Criação distante de Deus

A Luz que ele traz em si é muito mais radiante do que em qualquer uma dessas fracas criaturas

Sem ele, esses habitantes de Valhalla por si mesmos nada são

Foi ele quem lhes trouxe o verdadeiro reconhecimento da beleza, que somente sob a sua direção aprenderam a conhecer e a criar para os seus fins

Será que não querem ver quem ele é

De novo o atravessou um frêmito de superioridade e de ira contra esses pálidos servidores

Então se dominou e falou sobremaneira afável a O-dio-nar

“Agora te decidiste”

“Mas como decidirá o teu povo, deixemos a cada um deles”

“Agora partirei destes salões e não voltarei mais aqui”

“Quem quiser estar comigo, que me siga em minha atuação ulterior”

De novo espalhou-se o silêncio

Então ressoou de novo a voz trovejante

“Vai-te e sabe que os portais de Valhalla, que fielmente serve ao Pai luminoso, estão fechados para ti” bradou O-dio-nar

O Portador da Luz olhou em redor para os servidores que ali estavam e dos quais muitos o conheciam e até então o haviam auxiliado fielmente em sua atuação

“Ofereço a cada um aquilo que vos ofereci até agora, e ainda muito mais concederei àquele que me seguir” disse com um estranho sorriso, e o seu resplendor atuava com irresistível claridade

Quando partiu, uma pequena parte dos servidores juntou-se a ele, e estes passaram pelo portal de Valhalla para nunca mais voltarem a ele

Era, porém, apenas uma pequena parte dos servidores enteais que seguiu a voz do Portador da Luz

A maior parte dos servidores permaneceu fiel a O-dio-nar e, com isso, a Deus Pai

Em muitos, porém, travava-se uma grande luta, pois o arcanjo atuava sobre eles com uma impressão avassaladora

Assim justamente o poderoso Hareiars e muitos outros como ele lutavam com a questão de como deviam decidir-se

Como muito tempo depois foi permitido aos servidores hesitantes reconhecer com alegria, ao permanecerem na proximidade de O-dio-nar tomaram a decisão mais sábia de toda a sua existência

Daqueles que o seguiram, o Portador da Luz fez sósias dos sublimes Altos seres enteais, e aos espíritos desenvolvidos que o escutavam impôs que os venerassem como deuses, diante dos quais tremiam e não sabiam o que deles podiam esperar

Com isso entreteceram-se no conhecimento sobre esses servidores confusões e caprichos, e nenhum dos espíritos desenvolvidos sabia, durante longo tempo, quem era o verdadeiro servidor de Valhalla e quem era o seu sósia, atuando a serviço do arcanjo caído

Infelizes eram os enteais que se deixaram iludir pelo Portador da Luz, pois eles, para sempre, em vez do verdadeiro serviço, tornaram-se apenas sombras que obedeciam ao seu chefe, que, ao conceder-lhes a sua força, ordenava-lhes fazer aquilo que por si mesmos nunca teriam feito

Por se terem separado de Valhalla, porém, não podiam agir de outro modo

Separaram-se do poder vivificante de Valhalla, e a única força que os mantinha em vida era aquela que o Portador da Luz lhes dava de si mesmo

Tudo em sua atuação degenerou gradualmente, e eles se tornaram escravos no exército tenebroso do arcanjo caído

Sabiam que dependiam de seu chefe com o seu ser e o seu não ser

Por isso muitos deles estavam dispostos a lutar contra a Luz e também contra os seus antigos companheiros de serviço da Valhalla puramente radiante

Essa, porém, era uma perspectiva que ainda estava por vir