A Proclamação Oculta dos Planos da Luz – Parte Iii

O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 13 de julho de 2020

Original tcheco: Utajené Zvěstování Z Úrovní Světla – Část Třetí · cesta-gralu.cz

Do grave acontecer que se desenrolou nos salões de Valhalla, muitos dos criados nos planos luminosos nada souberam durante um tempo muito longo

Somente uma parte da cavalaria primordialmente criada no Graal conhecia tudo aquilo que se havia passado, e foram também eles que imediatamente enviaram uma fervorosa súplica de auxílio a Deus Pai

Ninguém ainda o pressentia com exatidão, mas nos salões do Graal, onde estavam postadas as guardas fiéis, fluíam em ondas as imagens de um desenvolvimento que ninguém conhecera antes

Essas ondas traziam em si uma vibração até então desconhecida, que se podia chamar de “luta”

Mas tudo estava ainda distante, e as esferas da Luz continuavam repletas de bem-aventurança e de graça

O Portador da Luz permanecia no fundo dos vapores nebulosos da obra da Criação Posterior, e ninguém sabia o que o ocupava

Continuavam ainda a ascender as centelhas dos desenvolvidos, despertadas pela atuação anterior do Portador da Luz, e nas esferas etéreas era-lhes permitido alcançar lugares quase à vista dos degraus que se elevam ao portal radiante para o lar da Ilha Azul dos espíritos bem-aventurados e amadurecidos

Tudo ainda parecia abençoado, e ninguém nos planos luminosos pressentia quanto o desenvolvimento ulterior haveria de mudar

Então, de súbito, das baixadas das nebulosas ergueu-se um raio que trazia em si, plasmada, a vontade do Portador da Luz

Subia através das esferas e trazia em si um estranho lampejo de um chamado ao serviço

Muitos dos criados saudaram alegremente esse raio, pois nunca antes haviam tido experiência da astúcia e da falsidade

Alegravam-se com esse raio, pois nele percebiam a confirmação de que tudo se cumpria com êxito em pleno acordo com a Vontade do Criador

Muitos nas esferas da Criação espiritual alegravam-se com isso e preparavam-se para, quando o raio de Lúcifer retornasse à Criação Posterior repleto de Luz abençoadora, unir-se a ele e segui-lo numa grande atuação de auxílio

Agora, porém, o raio subia cada vez mais e mais alto, atravessando os planos, e incitava continuamente todos os habitantes dali a se unirem a ele

Uma estranha névoa fina caminhava em seu rastro e, onde os espíritos se aproximavam do brilho do raio, ela os envolvia, e eles escutavam o som que com ela era trazido

Nesse som estava contida a palavra “serviço”

Essa palavra repetia-se sempre de novo, e por toda parte, através do espaço, ressoava numa repetição silenciosa “serviço … serviço … serviço …”

Sua irradiação era inebriante e atraía a uma aproximação e a uma ligação com essa mensagem que provinha da obra da Criação Posterior

O raio subia cada vez mais alto

Por fim alcançou até as partes mais elevadas da Criação, onde atravessou os planos primordialmente criados

O único lugar do qual não se aproximou nos planos inundados de Luz foi o próprio radiante e poderoso Burgo do Graal

Em sua sedução, aguardava para ver se conseguiria alterar a opinião dos habitantes dali

Sua intenção, que era o verdadeiro objetivo pelo qual subira até ali, a esses planos repletos de Luz, tornava-se, porém, cada vez mais perceptível para muitos primordialmente criados fortes, pois dormitava no raio desde o próprio início de seu desvio nas profundezas das materialidades

Os cavaleiros no Graal sabiam de antemão desse acontecer, pois lhes fora comunicado pelo arcanjo Miguel mais do que aos outros habitantes da Criação era permitido receber

O arcanjo Miguel, envolto em Luz ofuscante, que fora designado pelo Criador para a proteção do jovem filho do rei nos salões do Graal desta Criação, advertiu a cavalaria da aproximação iminente da vontade de Lúcifer

Por ora, porém, a vontade do forte servidor divinamente enteal Lúcifer, concentrada no raio, circulava pelos planos e em seu chamado ainda atuava em parte de modo atraente sobre muitos

Por trás de seu brilho luminoso de espécie ofuscante, era possível, contudo, observar cada vez mais nitidamente uma palidez e um vazio que se afastavam de tudo o que é puro na Criação

Quem permanecia em ligação com as forças que fluíam no Graal, de onde se derramava num brilho dourado de rubi a força vivificadora de Deus Pai, esse reconhecia que aquele chamado era apenas uma sedução, que atraía à ligação com a vontade daquele que se havia elevado a si mesmo

No fulgor e no brilho era possível divisar através do raio uma imagem que trazia em si uma estranha forma serpentina

Então, de repente, desmascarada pelos olhares dos cavaleiros fiéis, essa figura de serpente enroscou-se em seu circular e arremeteu na direção do luminoso jovem que se encontrava no Burgo do Graal

Contra essa vontade, que impelia o raio para a frente, já estava, porém, erguida a barreira da cavalaria em armadura reluzente

O raio – a serpente deteve-se diante deles e sussurrou

“Serviço … o serviço é o mais elevado que podeis oferecer pela vida na Criação”

“Servi, servi a mim, pois eu conheço a Criação melhor do que o jovem”

“Assim como Ele, também eu venho do divinal, mas eu, em minha missão, conheço as Leis da Criação até as suas esferas mais longínquas”

“Eu conheço esta obra da Criação por completo, Ele não”

“Eu sou o divinal que foi escolhido para esta Criação”

“Eu vos transmitirei mais Luz do que Aquele que tendes em vosso meio, se me servirdes e me abrirdes os salões do Graal”

“Nunca ainda conhecestes a força que eu vos trarei do trono de Deus”

Com o sibilar de uma silenciosa tentação, isso ressoava através do espaço, e o raio circulava ao mesmo tempo em torno das fileiras dos fiéis a Parsival

As fileiras estremeciam, mas nem um único dos cavaleiros fraquejou nem se submeteu à sedução da voz

Então, em resposta às palavras sussurradas, ressoou um brado:

“Eu, Eu Sou!”

“Eu sou Aquele que Sou!”

Como uma voz sonora de esperança ressoou o grande brado do jovem, e todos reconheciam que em Sua voz estava o Próprio Deus Pai

Pelo som das palavras foi dissipada de um só golpe a opressão rastejante que se insinuava em todos no sussurro do raio de Lúcifer,

A arbitrariedade e a falsa presunção na Criação foram quebradas

Todos os servidores fiéis à Luz foram fortalecidos

O raio do Portador da Luz estremeceu, e pareceu que, abalado pelas palavras que longamente ecoaram como um eco através de todo o espaço, ele por fim cederia e se retiraria

De súbito, porém, a serpente arremeteu para a frente e enroscou-se em torno dos pés daqueles cavaleiros que lhe pareciam os elos mais fracos da fileira firme

Arrancou os cavaleiros do pátio e por uma fenda arremeteu atrás do jovem, que se encontrava no salão mais alto do Graal, irradiado pela Luz

Ali, orando, Ele permanecia na confiança da proteção de Seu Pai

As fileiras dos cavaleiros perseguiram o raio, e de novo os fiéis cerraram fileiras para a proteção de seu jovem administrador do Graal

Os quatro mais fortes protetores do Graal postaram-se nos portões de entrada do salão, prontos a deter a serpente escamosa na qual o raio emergido das profundezas agora já se transformara por completo

Forças poderosas chocaram-se em sua irradiação através dos salões do Graal, e esse choque abalava as paredes do poderoso edifício

Estrondos e lamentos desciam às profundezas como o eco da luta

Com sua força, os quatro mais fortes detiveram a serpente por um breve instante e com isso possibilitaram que a Rainha Primordial Elisabeth, que acorrera às pressas, pudesse elevar o jovem radiante para a parte divina do Graal, para a proteção dos eternos, a lugares fora do alcance da serpente

Naquele instante ressoou pelos céus “Basta, até aqui e não mais!”

Logo em seguida apareceu, saindo da Luz ofuscante, uma figura de magnífico porte cavaleiresco

O arcanjo Miguel, que fora enviado por Deus Pai para a proteção do jovem do Graal, descia aos salões do burgo, levado por suas poderosas asas, a fim de intervir com a força concedida por Deus em auxílio dos cavaleiros primordialmente criados, que de outro modo não teriam podido resistir ao raio, o qual ainda estava munido contra eles da centelha da natureza divinamente enteal de sua espécie

Havia a ameaça de que a serpente, que se desenvolvera a partir do raio, não podendo atingir o jovem, atacasse o sagrado cálice do Graal, para desviá-lo e com isso paralisar o afluxo das forças que através dele chegam à obra da Criação

Com um golpe certeiro, o arcanjo radiante, já de pé sobre as muralhas do Graal, atingiu a serpente com sua espada reluzente, e esta, paralisada, caiu para as profundezas

Abatida pelo golpe do mais forte, despencando através dos planos, enroscava-se em torno daqueles que não eram firmes e arrastava-os consigo, ou ao menos os abalava, para torná-los inseguros em seu serviço até então

Assim influenciou também uma parte dos espíritos na Criação, que cederam ao seu sussurrar e, sob a impressão da sedução e das promessas envolventes sobre a sua grandeza, deixaram-se arrastar para baixo

Vários lugares luminosos na Criação foram atingidos, e por algum tempo o desequilíbrio surgido teve de retornar ao equilíbrio original

Por fim, porém, o raio não conseguiu manter-se na Criação Primordial e, debatendo-se em fúria, já em inimizade inteiramente aberta contra a Luz, precipitou-se na profundeza da obra da Criação Posterior, onde de novo se fechou sobre ele a nebulosa do pressentimento de um funesto desenvolvimento ulterior

Nos salões do Graal, sob o afluxo do fortalecimento de Deus, transmitido pelo protetor enviado, o arcanjo de origem divina, tudo imediatamente se estabilizou, e ninguém permaneceu desviado

Na renovação das forças, que de novo fluíam em bênção radiante, retornou a paz, e uma harmonia que tudo permeia derramou-se, juntamente com o afluxo de Luz vindo do Graal, em todos os lugares que antes haviam sido atingidos pelo raio do arcanjo caído

Também as outras esferas da Criação curaram rapidamente os lugares onde, sob o efeito do raio do caído, ocorrera por breve tempo um desequilíbrio

Tudo foi renovado ou substituído, e a pulsação regular passava novamente de cima para baixo, como sempre antes

Jubilosa, levava-se através das esferas a notícia do retorno do jovem Parsival da parte divina do Burgo do Graal de volta aos salões mais altos no anexo espiritual do Graal

A Rainha Primordial Elisabeth permaneceu com Ele nessa parte por algum tempo, antes de retornar de novo ao seu lar no plano divino

Todos os habitantes da Criação faziam subir, em suas orações de louvor, a confirmação do voto de fidelidade ao Rei do Graal e a Seu Santo Pai

Uma pulsação bem-aventurada vibrava, plena de paz e calma, através de todos e de tudo

Apesar disso, em muitos lugares ficou uma estranha marca do vivenciado, que trazia em si para sempre a lembrança de uma nova consciência para todos os habitantes da obra da Criação, que levavam consigo a experiência adquirida como uma nova dimensão de sua sabedoria

Em muitos ficou esse reconhecimento adquirido de uma adversidade e de uma falsidade até então desconhecidas para eles, como uma marca que jamais será apagada e que será sempre auxiliadora para toda a atuação nos planos da Criação Posterior, onde permanece continuamente um certo grau de tibieza, em decorrência da natureza da penetração mais difícil da Luz direta

Por meio desse vivenciar, por nenhum dos habitantes da Criação esperado, foi permitido à obra do Criador receber um amadurecimento como um todo, em sua duração eterna

Para sempre permanecerá aqui o reconhecimento de que a Luz pode ser ameaçada, se a vigilância e a pureza não formarem um acorde junto com a maturidade, a profunda sabedoria e a clara agudeza no discernimento de tudo o que é falso

Uma nova vibração de fidelidade descia através das esferas e trazia à bem-aventurada entrega à Luz o acréscimo da vigilância adquirida

Enchia de transbordante alegria os corações de todos os que haviam resistido no vivenciado e perseverado inabaláveis em seus postos de serviço

Ao mesmo tempo, muitas promessas eram trazidas das alturas da Luz, e multidões de fiéis apresentavam-se para o serviço no auxílio ao seu cumprimento

Os servidores luminosos aguardavam em todos os planos até que chegasse o tempo de se unirem ao Filho do Homem, que, anunciado, haveria de passar pela obra da Criação, para com Sua presença curar todas as feridas causadas pela passagem do raio do arcanjo caído

Elevadas e grandes expectativas encheram todos os planos, e o serviço jubiloso fazia parte de todos os preparativos para o novo acontecer, que haveria de mover de novo a grande engrenagem de toda a obra da Criação