Como a Páscoa É Celebrada no Paraíso

O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 4 de abril de 2021

Original tcheco: Jak Jsou Slaveny Velikonoce V Ráji · cesta-gralu.cz

Muitos homens terrenos que professam a fé cristã estão convencidos de que, assim como aqui na Terra as festas da Páscoa são celebradas pelos crentes, e ainda de modo muito mais grandioso, essas festas devem ser celebradas nas regiões do Paraíso

Supõem que justamente esse tempo é o maior ápice das celebrações do Santo Criador e de seu Divino Filho Jesus Cristo

A plenitude dessas celebrações deve então ser a glorificação do grande sacrifício de Deus Pai, realizado em seu Filho, pois com isso, segundo as suas concepções, a humanidade foi para sempre redimida do pecado pelo Amor de Deus

A suposição sobre a grandeza dessas celebrações, que nesse contexto se desenrolam no próprio céu, reside justamente no fato de que, aos olhos dos cristãos terrenos, tudo isso é a confirmação do incompreensível amor universal de Deus Pai, demonstrado para a salvação da humanidade

Quem mais, então, segundo eles, deveria celebrar essa redenção mais do que aqueles que já foram elevados ao céu e, rodeados de hostes de anjos, erguem o olhar para o trono de Deus

Quão grandemente se enganam esses homens, sem o pressentirem

Mas enganam-se também aqueles que supõem, a respeito dos espíritos que com a entrada no Paraíso conheceram verdadeiramente a Luz da Sabedoria de Deus e puderam unir-se mais à Verdade, que estes olham para as celebrações das festas cristãs da Páscoa na Terra apenas como a manifestação de alguma fé cega de terrenos extraviados

Enganam-se também todos os zelosos detentores da Verdade que supõem que a humanidade terrena tem de ser considerada pelos habitantes espirituais na Luz apenas como digna de condenação, quando recorre aos seus cultos formais

Ó, quão diferente é tudo nos mundos espirituais, tão diferente que os homens terrenos quase não conseguem imaginá-lo

O mundo espiritual está, em muitos sentidos, sobretudo inteiramente distante do pensar dos homens terrenos, e assim, neste tempo da Páscoa terrena, encontraremos nos mundos espirituais tudo, menos uma semelhança próxima com o celebrar terreno dessas festas

O Paraíso está repleto de espíritos que vivem uma alegria bem-aventurada nas vibrações da Luz, sem precisarem para isso de qualquer vínculo com o mundo terreno

Também é necessário tomar consciência de que a comunidade material de Ephesus, à qual pertence este universo, é apenas uma dentre várias comunidades de mundos que foram criadas pela Luz para o desenvolvimento pleno de graça dos espíritos humanos nas materialidades

Também vale que tudo o que é considerado terrenamente importante se perde gradualmente na consciência de todos os espíritos que saíram de Ephesus e aos quais já é permitido habitar no Paraíso, pois a sua consciência por fim se afasta da ligação estreitamente prendedora com a Criação Posterior

Somente as almas nos planos etéreos, que de tempos em tempos se aproximam da Terra, vivenciam, em seu horizonte anímico ainda sempre estreitado, nos planos etéreos de Ephesus uma certa semelhança com as festas terrenas, não importa de que religião sejam representantes

É sempre o mesmo, pois nos planos anímicos etéreos é possível encontrar um certo alcance de todas as religiões, com as quais, em sua convicção, as almas entram no Além e lá também se esforçam por mantê-las

Se, portanto, algum mediador do Além fala de que no céu são celebrados o Natal, a Páscoa ou outras festas de outras religiões, como as festas judaicas, muçulmanas, ou se se trata talvez das celebrações das confissões orientais do budismo, do hinduísmo e ainda de muitas outras, então é certo que esse anunciador se encontra ainda sempre dentro dos limites dos mundos etéreos que o prendem à comunidade de mundos de Ephesus, à qual pertence justamente também este mundo terreno, com as suas diversas filosofias e religiões

Isso significa que um tal visitante vindo do Além não se aproxima dos terrenos diretamente do Paraíso

Somente quando o espírito sobe ainda mais alto, também acima das mais luminosas regiões dos planos materiais, é que a sua essência espiritual mais viva se afasta gradualmente de tudo o que pertence à Criação Posterior, em cujos limites da matéria se desenrolam os caminhos de todas as centelhas espirituais imersas, que aqui, nas vivências, adquirem a sua maturidade

O Paraíso espiritual, que é uma realidade e não apenas uma suposição de almas imaturas que habitam nos planos do etéreo, a respeito dos quais justamente muitas almas, não raro, depois de sua chegada ao Além, supõem que já são o céu, abre uma espécie inteiramente diferente de percepção e, com isso, traz um horizonte que falta às almas inacabadas

No Paraíso, em sua maravilhosa diversidade, há também tanta coisa diferente e mais atraente, que o passado dos espíritos, com aquilo que eles vivenciaram como importante em sua convicção anterior, se dissolve numa consciência semelhante apenas a algo antigo, que permanece como um som distante

Naturalmente, se alguém no mundo espiritual deseja evocar o que quer que seja de seu passado, então imediatamente a tal espírito qualquer instante das vivências materiais de caminhos anteriores surge diante de seu olhar na mais viva e nítida forma

Está então imediatamente diante dele, como algo direto, se ele assim o desejou

Mas são apenas poucos os espíritos que querem voltar ao passado, pois nele veem predominantemente apenas os erros decorrentes de seu agir imaturo

Ao mesmo tempo, tudo o que impele os homens terrenos a uma estreita ligação com a vida daqui, em suas alegrias e em seu aparente deleite, já caiu inteiramente dos espíritos no Paraíso, e eles não têm nenhuma necessidade de tal ligação

Em seus caminhos anteriores veem assim apenas as vivências necessárias, que deviam conduzir a sua centelha espiritual a uma manifestação viva cada vez mais clara do sentir intuitivo

Nessa consciência agradecem ao Criador e às suas sábias Leis, que formaram esses caminhos anteriores para que ao espírito fosse permitido amadurecer e entrar no estado de seu verdadeiro valor pleno, que encontra somente no Paraíso espiritual

Esse valor pleno reside no vivenciar permanente pelo íntimo, portanto pela percepção intuitiva, que justamente no mundo terreno está muito relegada a segundo plano

No Paraíso, esse sentir intuitivo é a própria essência da vida espiritual de cada um dos habitantes de lá, e assim já não há necessidade de voltar ao tempo da luta anterior por algo que, nas vivências, se tornou gradualmente propriedade plena do espírito

Assim, somente pela incandescência de todo o querer pelas vibrações intuitivas em primeiro lugar, o que é idêntico à possibilidade de entrar nos planos espirituais do Paraíso, abrem-se então a tal espírito perspectivas com as quais as almas no caminho de seu desenvolvimento não sonham nem sequer numa pequena parcela

Os habitantes dos planos espirituais do Paraíso vivem no instante do presente e nele encontram as maiores oportunidades para a plenitude de seu ser nas tarefas que têm elevada seriedade e, ao mesmo tempo, trazem o mais alto sentido de felicidade

Não têm então necessidade de voltar atrás, pois o presente lhes oferece um vivenciar muitas vezes mais pleno da alegria e da consciência bem-aventurada de que lhes é permitido ser

Se, porém, algum dos espíritos, apesar disso, volta as suas recordações aos tempos de seu desenvolvimento, é para poder sintonizar-se melhor com alguma alma que ainda se encontra na Criação Posterior e vê muitos acontecimentos ainda de modo inteiramente diferente daqueles que já estão em casa no mundo espiritual

Tais espíritos naturalmente atuam no Paraíso e estão ligados, por meio de outros auxiliares que atuam abaixo deles, àqueles homens na Terra que se esforçam por abrir o seu íntimo a impulsos mais elevados e mais nobres

Alegram-se por isso com cada movimento do íntimo intuitivo do homem terreno que o conduz a uma compreensão mais elevada dos princípios sobre os quais se assenta toda a obra da Criação

A esses princípios pertence o esforço por um viver puro e justo do ser humano em todas as circunstâncias das condições terrenas, em que o íntimo do ser humano compreende e vivencia cada vez mais o sentido da Lei do dar e receber no espírito das palavras pronunciadas por Cristo

Isso é o mais precioso que é acolhido com alegria no ser humano, e se juntamente com isso os pensamentos do homem terreno voam ao Filho de Deus e à sua Palavra, então a alegria faz vibrar esses auxiliares no Paraíso, pois lhes é permitido reconhecer que tal ser humano caminha pelo caminho certo, para o alto, rumo ao lar espiritual

Para isso, porém, esses auxiliares, que de tempos em tempos estão inclinados em seu serviço para as baixadas das materialidades de Ephesus, não têm de apoiar quaisquer liturgias nem formas de culto, mas ao mesmo tempo não têm razão para impedi-las, pois sabem que as condições de pensamento terrenas dos homens não podem ser mudadas de outro modo senão pelo despertar gradual daqueles que são mais intuitivos, que querem verdadeiramente apenas o bem para o seu próximo

Se o vivenciar de um culto terreno traz em si ao menos um indício de vivacidade, então a possibilidade de atuação desses auxiliares inclinados para a Terra é tanto maior, pois então podem trazer vibrações do Bem e da Luz aos íntimos humanos assim abertos

Mas de tais espíritos que se dedicam a essa atuação direta há no Paraíso apenas uma determinada quantidade, e estes têm sempre alguma razão ou missão para essa espécie de serviço, para atuarem junto aos homens terrenos em Ephesus

O próprio Paraíso, porém, está repleto de espíritos que têm o seu passado de desenvolvimento ligado a outras partes, a comunidades de mundos, ou também, dito de outro modo, a comunidades das materialidades, e para estes as festas da Páscoa, tal como são compreendidas terrenamente, são algo mais distante

Somente uma coisa une todos os espíritos bem-aventurados no Paraíso, e isso é a consciência da presença do Raio do Filho de Deus, Jesus, que naquele tempo desceu às profundezas da Criação, enviado para esse caminho por Deus Pai

O Seu raio atravessou aceleradamente as esferas de todas as partes da Criação, para imergir nas materialidades de Ephesus para a salvação da continuidade da existência desta parte do mundo

Juntamente com ele imergiu também nas materialidades uma pequena hoste daqueles que deviam acompanhá-lo em Sua peregrinação terrena, como aqueles que podiam compreender melhor, com os sentidos terrenos, a sua Palavra da Verdade

Breve, porém, foi esse caminho da ancoragem do Raio de Jesus no corpo de matéria grosseira na Terra

Breve, apenas muito breve, foi a luta do Filho de Deus pelo despertar das almas humanas

Assim, visto do alto, num tempo brevíssimo depois dessa imersão, Jesus retornou ao Paraíso espiritual, pois a humanidade não o acolheu e, na perseguição pelas trevas, instigadas contra Jesus por Lúcifer, nem mesmo os que terrenamente lhe eram mais próximos fizeram coisa alguma de essencial para a sua proteção no corpo material

Libertado pela morte terrena do envoltório de matéria grosseira, o Raio do Amor de Deus em Jesus elevou-se assim ao Paraíso espiritual, para ali permanecer por breve tempo, antes que, com a abertura dos céus, sob o efeito da atuação do Espírito Santo, fosse permitido ao seu Raio retornar a Deus Pai

Esse tempo foi para os habitantes do Paraíso um tempo de existência sumamente bem-aventurada, pois aqui o Amor de Deus pôde dar aos espíritos humanos acabados e maduros, a mãos cheias, dádivas da Plenitude de Graça de Deus

E todos os que naquele tempo ali habitavam acolheram com fervorosa alegria esse tempo da proximidade de Deus, como um afluxo da mais bem-aventurada incandescência de si mesmos

Naquele tempo, a Luz no Paraíso espiritual resplandeceu num brilho especial de felicidade, no qual muitos quase perdiam a consciência

Jesus permaneceu breve tempo nos jardins de Montsalvat e, por toda parte onde o seu Raio pisava, trazia, como acontecer natural, o fortalecimento de toda beleza e esplendor desses lugares

O Jardim da Plenitude do Amor, regido pela sublime administradora Rosanea – ou, de outro modo, a Donzela das Rosas –, encheu-se das mais maravilhosas flores de rosas vermelhas, e todo o templo desse jardim se encheu do perfume especial dessas flores

Esse perfume permaneceu ali por longo tempo e volta sempre de novo, todas as vezes que a mais alta servidora se une em oração ao Amor de Deus

Os jardins transbordam nesse tempo de uma felicidade plena, e essa vibração atravessa a hoste das servidoras e avança para os demais lugares do Paraíso, até todos os que nesse tempo estão abertos a essa espécie de preenchimento pela Plenitude do Amor de Deus

Isso acontece no tempo em que por toda a obra da Criação flui essa especial Graça de Deus, que corre através de Maria para os salões do Burgo do Graal na Criação Primordial e em seguida desce até a Ilha das Rosas, que se encontra também nas alturas da Criação Primordial

Como um eco é então levada, nesse tempo, a todos os planos a recordação do Amor de Deus Pai, que no divinamente inenteal se separou e deixou formar-se o Raio do Filho de Deus, Jesus

Esse tempo é vivenciado como a maravilhosa ligação da Obra de Deus pela recordação de Seu Amor

A esse acontecer corresponde também, no ano terreno, o tempo que está ligado aproximadamente ao tempo das festas do Natal

No tempo da Páscoa terrena, porém, é diferente, pois esse tempo está ligado à alegria do retorno do Filho de Deus das materialidades, que ele salvou com a sua entrada, possibilitando com isso a continuidade de seu ciclo, pelo fato de ter ancorado em Ephesus a Luz de Seu Pai como elo de ligação, que tornou possível que nenhuma das partes das materialidades na Criação Posterior desmoronasse mais

A humanidade não foi redimida naquele tempo, pois algo assim está excluído por causa do livre-arbítrio que todo espírito humano tem em seu caminho através da existência

Mas foi ancorada uma salvação que possibilitou o ulterior desenvolvimento na Criação Posterior, na qual o pequeno planeta Terra formou o ancoradouro para o limite da Luz que foi trazida pela presença do Filho de Deus no corpo

Esse acontecer é significativo, mais significativo do que a humanidade sequer pressente

É a confirmação da Onissabedoria de Deus, que dirige os mundos de tal modo que os caminhos que se desenrolam sob a sua influência conduzam, por fim, apenas à vitória da Luz em toda a obra da Criação

Na imersão do Raio do Filho de Deus, Jesus, na Criação, quando ele, em seu caminho para as materialidades, atravessava o Paraíso espiritual dos espíritos bem-aventurados, todos estes já sabiam de antemão que Jesus traria com certeza a vitória sobre as trevas

Ele trouxe a vitória para a libertação das materialidades

Não, porém, pelo fato de ter sido crucificado para redimir a humanidade, como pensam muitos crentes, mas pelo fato de ter entrado em sua tarefa, ao aparecer a pomba sobre ele, depois da imersão por João Batista nas águas do Jordão

Esse acontecer foi a vitória da Luz de Deus e, para toda a atuação dos servidores enteais, foi o importante anúncio de que Deus Pai enviara o seu Filho para formar um marco, em cujo cumprimento residia a promessa da salvação dos mundos materiais, desde o seu início nas esferas finas das materialidades etéreas até embaixo, à parte do mundo de Ephesus

Os habitantes do Paraíso participaram desse grande acontecer, e por isso o seu olhar sobre o caminho do Filho de Deus, Jesus, está ligado a esse sério marco

Os acontecimentos ligados ao ulterior caminho terreno de Jesus foram percebidos como uma grande luta pelas próprias almas humanas, para as quais, pela presença do Raio do Filho de Deus, Jesus, surgiu a oportunidade de um grande renascimento e de uma ascensão para a Luz

Isso valia para o indivíduo e para a humanidade como um todo

A sabedoria de Deus sempre traz, num só acontecer, muitos acontecimentos interligados

Assim, o envio do Filho de Deus, Jesus, trazia muito mais do que apenas o próprio esforço pelo despertar da humanidade terrena

Embora assim se tenha arraigado, Jesus não foi enviado por seu Pai somente por causa dos pequenos homens terrenos, mas por causa de todo o grande ciclo da Criação, no qual a atuação do fracassado Lúcifer causara graves danos na engrenagem giratória das materialidades

Ameaçava-as o completo desmoronamento até a destruição

Contra esse estado era necessário realizar um ato de salvação vindo da Luz, pois isso só era possível pela intervenção do próprio Raio procedente da Fonte Divinal

Nessa salvação, em que Jesus, com a sua vinda em matéria grosseira, delimitou a fronteira até onde precisamente atua o efeito direto da Luz de Deus, era natural que ao mesmo tempo Jesus trouxesse a libertadora Palavra da Verdade para a humanidade terrena, porque isso fazia parte de seu envio às materialidades

Em sua essência, que foi separada do Amor de Deus, esse procedimento era apenas uma parte natural desse grande ato de salvação

Os homens podiam daí obter para si o mais precioso, quando estavam em sua proximidade

Mas na humanidade cravaram-se as trevas semeadas por Lúcifer e, juntamente com a mornidão espiritual, que é igualmente nociva para o espírito humano nas materialidades, foi por fim preparado pela humanidade ao Filho de Deus um caminho que, cheio de aflição e dor, conduziu passo a passo ao terrível fim na cruz

O tempo da Páscoa nunca se tornou nenhuma redenção automática nem libertação para a humanidade, nem para ninguém que apenas exteriormente se torna crente

Pelo contrário, no tempo em que o Raio de Jesus se elevou ao Paraíso dos espíritos humanos, precederam-no anjos que, com dor, levavam a notícia do fracasso dos espíritos humanos nas materialidades, pois estes, salvo algumas exceções, quase não reconheceram de modo algum a Luz e a Verdade no Filho de Deus na Terra

Assim, primeiro a tristeza se apoderou dos habitantes dos mundos espirituais e uma justa ira atravessava muitos cavaleiros de Montsalvat, mas tudo isso foi em seguida inteiramente vencido pela proximidade de Jesus, que, como já foi mencionado, trouxe em si ao Paraíso, por breve tempo, o esplendor bem-aventurado da presença da Plenitude do Amor de Deus a todos os espíritos de lá

Toda a dor pelos espíritos humanos nas materialidades foi também encoberta pelo conhecimento sabedor de que a encarnação de Jesus já por si só trouxera a grande mensagem da salvação das materialidades da Criação Posterior

O caminho de Jesus foi uma vitória e trouxe uma nova perspectiva dos caminhos da direção de Deus sobre os mundos

Foi a vitória da Luz de Deus, à qual se seguiu a vinda do Filho do Homem por sua subsequente encarnação neste mundo terreno

O Filho do Homem trouxe o desencadeamento do Juízo e com isso ancorou o divisor que encerra uma grande parte do ciclo das materialidades da Criação Posterior

Esse desencadeamento do Juízo está ainda em curso e durará um certo tempo até que se cumpra, para a confirmação da validade da Santa Palavra para todas as almas nas materialidades

E o próprio Deus Pai trará num determinado tempo a consumação de todos os acontecimentos, quando não haverá outro som senão o soar das palavras “Está consumado!”

Nesse tempo surgirá para a humanidade a verdadeira Páscoa, pois aqueles que forem preservados poderão erguer o olhar para o novo tempo na Terra como para aquele prometido reino de Deus na Terra

Bem-aventurados aqueles que ainda puderem depois encarnar na Terra, para que lhes seja permitido depor aceleradamente tudo o que ainda os prende à matéria e assim concluir a sua ascensão

Então poderão subir acima do ciclo das materialidades circulantes da Criação Posterior, e abrir-se-á para eles a porta de entrada nos planos espirituais da Luz, que se lhes tornarão um lar bem-aventurado, com todo o esplendor que ali habita

Para os homens terrenos, o celebrar das festas da Páscoa só tem sentido quando o seu íntimo se abre e, em comovida vibração, deixa aproximar-se algo que verdadeiramente vem das alturas dos planos espirituais

Somente nisso está contida a promessa do verdadeiro vivenciar desse tempo, tal como o esperam os espíritos que, dos planos do Paraíso, ajudam os homens terrenos

Isso, porém, exige um verdadeiro vivenciar da grandeza de Deus pela intuição, na profunda e ao mesmo tempo alegre consciência de que a obra da Criação está nas mãos da direção de Deus sobre os caminhos de todas as criaturas, e de que, se o ser humano caminha por esses caminhos em sua sintonia intuitiva de modo puro, fervoroso e justo para com o seu próximo, então todos os auxílios lhe estão sempre perto

Nessa sintonia reside, para o ser humano terreno individual, o cumprimento da promessa da ressurreição de seu espírito

Isso porque o seu íntimo pode ligar-se às alturas luminosas e delas haurir para si o fortalecimento do modo como nessas alturas é vivenciada a alegre sublimidade do ser

Se alguém conservar esse estado de sintonia intuitiva, a fim de que também ele esteja em todos os momentos de sua vida sempre alegremente na pura nobreza de seus atos, então se abre diante dele, por si mesma, a promessa da ascensão às portas do Paraíso, quando o seu tempo aqui na Terra um dia terminar

Exemplo disso pode ser para ele o vivenciar daquele espírito que foi crucificado no corpo terreno ao lado de Jesus

O seu reconhecimento de Jesus em sua origem divinal e, ao mesmo tempo, o fervoroso pedido de intercessão de Jesus junto a seu Pai possibilitaram, num poderoso inflamar-se da fervorosa entrega à graça de Deus, que pudessem ressoar as palavras pronunciadas por Jesus: “Digo-te: ainda hoje estarás comigo no Paraíso”

Essas palavras de Jesus foram o cumprimento, como resposta à fervorosa transformação do crucificado

No acontecer acelerado, na aceitação de todas as dificuldades que pesavam dolorosamente sobre a alma e o corpo do crucificado, foi permitido depor tudo aquilo que ainda restava para a remição

E do mesmo modo pode todo ser humano vivenciar essa ligação com o Filho de Deus, para que, na completa aceitação de todas as suas culpas, faça num único instante um grande progresso para o alto, rumo às alturas da Luz

Isso será então o verdadeiro, ao qual exortam os espíritos que, auxiliadores, se inclinam da bem-aventurança do Paraíso, para chamar e sacudir a humanidade terrena para o verdadeiro despertar, que reside sobretudo no despertar interior, na ressurreição do espírito, para que este se manifeste então por si mesmo em todo o agir terreno desse ser humano

Essa é a verdadeira mensagem do Paraíso, que exorta à abertura da receptividade intuitiva de cada um dos homens

Quem vivenciar assim o tempo da Páscoa aproxima-se daquilo que é vivenciado permanentemente pelos espíritos luminosos nos planos bem-aventurados do Paraíso

Ser humano, faze assim, deixa despertar inteiramente em ti o esforço puro e seriamente intencionado para a Luz

Se assim fizeres, poderá aproximar-se de ti uma parte da irradiação que traz em si, através de todos os planos da Criação, o Espírito de Cristo