Fios Importantes da Irradiação Enteal Próxima Ao Nosso Redor – Celeine, Parte Ii
O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 16 de novembro de 2020
Original tcheco: Důležitá Vlákna Blízkého Bytostného Záření Okolo Nás – Celéiné Část Ii. · cesta-gralu.cz
Muitas pessoas sabem do antigo reino da Atlântida, que se encontrava numa longa ilha que se estendia quase por todo o atual Oceano Atlântico, de norte a sul
Nessa ilha, ou antes nesse continente, estavam distribuídas em muitos lugares grandes povoações, encontravam-se ali enormes construções e templos
Nesta parte sobre Celeine é permitido falar das conexões que levaram à queda desse poderoso reino
No tempo da maior falha dos habitantes da Atlântida, inclusive dos próprios soberanos, os reis Orokun e Ororun, O-dio-nar recebeu, no alto de Valhalla, uma ordem que Phermos lhe trouxe da parte do próprio Mercúrio, dos salões do Burgo do Graal
Essa ordem trazia em si a interrupção do crescimento ulterior dos homens terrenos atlantes, que haviam começado a considerar-se os próprios deuses, usavam indevidamente as forças dos auxiliares enteais e escravizavam os povos de continentes distantes, que consideravam inferiores
A tudo isso devia ser posto um fim, para que pudesse ser formado na Terra um solo renovado para novas gerações de homens, às quais já seria tirado o poder sobre os servidores enteais que atuam na Terra e às quais seria incutida a necessidade de maior humildade para a colaboração com eles
O sublime O-dio-nar chamou Hareiars a si e comunicou-lhe a sua tarefa
A Terra devia ser fortemente atingida, para que os homens nunca mais supusessem que são mais do que aquilo que realmente são, isto é, peregrinos espirituais que estão nos caminhos de seu desenvolvimento nas materialidades da Criação Posterior
O povo da Atlântida já havia recebido tempos antes um longo prazo para a sua transformação, mas desperdiçou mais da metade do tempo concedido para a mudança, como se os seus ouvidos estivessem tapados com cera
Por isso devia ser encerrado um período áureo da humanidade na Terra, uma vez que esta não dava valor à bênção que se inclinava para ela a partir da Luz
Os homens da Atlântida deixaram de valorizar a colaboração com os servidores enteais e consideravam natural que estes os ajudassem em tudo
A sua ascensão terrena, no entanto, estava diretamente ligada ao auxílio fiel de fortes servidores, que tinham sido enviados à Terra por Valhalla
Estavam ali para ajudar os homens grandes gigantes e poderosos representantes dos elementos, que permitiam que aos homens de então parecesse natural aquilo que hoje já é impossível para o ser humano
A ascensão do reino atlante durou dezenas de milênios, e podia-se em verdade chamá-la de idade de ouro do povo de então da Atlântida
No próprio ápice, a Atlântida considerava-se o reino dominante de toda a vida na Terra
E de fato era um reino que dominava tudo
Mas não tinha consciência do que fazia com isso, pois se aquecia ao sol de sua força preponderante e não queria admitir que disso lhe advinha uma imensa responsabilidade espiritual
Essa responsabilidade a Atlântida desconsiderou por tempo demasiado longo, e com isso começaram a desenrolar-se gradualmente os fios que tinham de trazer a destruição
Em toda parte onde o mais forte e mais abençoado não ajuda o mais fraco com bondade e sabedoria, surge uma estagnação das forças, que tem de se manifestar como uma descarga numa tempestade, a qual impõe o retorno ao curso natural do equilíbrio
Assim acontece em todos os lugares na obra da Criação onde se chega a um desvio ou a uma distorção das forças que fluem do Graal, e por isso essa lei atingiu, no tempo do reinado do grande Orokun, o próprio reino da Atlântida
Devia ser varrida a soberba desse povo e também o seu poder preponderante sobre os demais, para que a linha da vida na Terra não se desviasse mais das Leis primordialmente eternas de Deus, que guardam sabiamente todo desenvolvimento na obra da Criação
Devia ser destruída a obra do espírito humano que falhou, a qual começara a dar frutos falsos
Não devia, porém, ser destruído o planeta que pertence à administração da servidora Erda, pois desde a Luz este planeta já fora escolhido, no início do surgimento do universo Ephesus, por sua posição, para uma especial tarefa abençoada, que haveria de vir ainda muito tempo depois
Hareiars, com um bramido em seu íntimo enteal, ouviu a ordem de O-dio-nar
Inclinou-se e, semelhante a um raio, saiu voando dos salões de Valhalla
Dirigiu-se para baixo, aos mundos daquelas materialidades que conhecia e que muitas vezes ele mesmo, contendo-se em si com a mais alta abnegação, preservava da destruição
Deteve-se na ponte radiante que conduz a Ephesus
O anjo que vela sobre essa parte do mundo assustou-se com a impetuosidade com que passou voando por ele o manto vermelho de Hareiars
Com receio, seguia com o olhar a lança desse servidor transbordante de força
A chama de seu candelabro tremia, pois ele sabia por que vinha esse forte servidor
Devia chegar a retificação daquilo que se havia entortado
As materialidades estremeceram no pressentimento de algo terrível que haveria de vir, mas que nem numa mínima parte devia desviar-se da mais alta justiça
Os enteais e todos os que trabalhavam nessa parte retiraram-se, mas os homens terrenos nada sentiam
Não ouviam nem mesmo as advertências que já há muito tempo chegavam até eles de seus guias espirituais
Em sua soberba, alegravam-se com o poder que ainda continuava junto deles e que continuavam a usar indevidamente para reforçar as grandes muralhas protetoras em torno da residência real de Ororun
Parecia que, afinal, haviam chegado até eles ao menos as notícias dos mensageiros, que lhes comunicavam que os Rizuns enteais – gigantes que os serviam – já não queriam submeter-se ao seu domínio
Mas os atlantes rejeitaram a acusação de soberba e arrogância, em vez de fazerem as pazes com os gigantes e com os demais e também em vez de se humilharem a si mesmos diante do Criador, e continuaram a considerar-se mais do que a espécie humanamente espiritual
Tudo isso e ainda muito mais viu o olhar penetrante de Hareiars
Não refletia, porém, sobre o que leva os homens a um agir tão delirante, esse não era o seu modo
Estava de pé e observava o mundo da matéria e os acontecimentos que nele se desenrolavam
Via os pontos fracos que lhe permitiam atuar
Muito se dominava para não estender a mão ao curso de todas as estrelas que circulavam em Ephesus e assim não provocar o colapso de todo o sistema do universo
O vaguear de seu olhar pelos fios podemos chamar de um penetrar enteal clarividente através das leis físicas da matéria
O silêncio e a calma em torno dele eram insuportáveis, pois não lhe era próprio ficar parado tanto tempo e parecer inativo
Então ressoou através do espaço um silvo que abalou tudo
A lança acabava de saltar de sua mão num impetuoso arremesso e precipitava-se através do espaço para as profundezas dos mundos de Ephesus
Onde ela aparecia, tudo em volta estremecia e tremia
Semelhante a um raio em voo, desapareceu nas nebulosas dos mundos estelares
A altiva figura de Hareiars erguia-se sobre a ponte de Hiemdall e, numa certa expectativa, parecia ter ficado imóvel por um tempo
Durante certo tempo nada acontecia, e tudo dava a impressão de que até o curso dos fios circulantes de todo Ephesus havia parado por um momento
Então, porém, de repente a lança apareceu, semelhante a um raio, e voltava obediente para o seu senhor
Antes disso, algures nas lonjuras, havia descrito um grande arco
Com o mesmo sibilo com que partira, terminou de volta na mão de Hareiars
Em seu rosto surgiu um brevíssimo sorriso de satisfação
O seu trabalho estava concluído
Com a mesma rapidez com que aparecera, esse servidor de aspecto ameaçador, mas que no entanto serve fielmente à Luz, voltou ao seu lar nas proximidades de Valhalla
Alegrava-se por esse seu lugar, que vibra permanentemente de força e no qual não há nem silêncio nem calma plena de paz, pois ali ressoa sem cessar o estrondo de suas armas, com as quais trabalha sem interrupção para a manutenção do fluxo de sua força
Enquanto Hareiars regressava e O-dio-nar ouvia dele o relato do cumprimento da tarefa, nas forças cósmicas da materialidade grosseira de Ephesus precipitava-se pelo espaço um cometa, que a ponta da lança arremessada por Hareiars havia separado de uma estrela distante
Com perfeito conhecimento das leis da matéria, o golpe exatamente dirigido separou, em lugares muito distantes, uma parte da matéria de uma estrela em desintegração, da qual se formou uma parte de matéria em voo – o cometa, que agora se dirigia para a Terra
Aos homens na Terra restavam três anos, que lhes foram dados para uma possível conversão, pois o cometa era seguido por Haetheine, que já no início do chamado de Hareiars tinha de O-dio-nar a ordem de deter o trabalho deste, caso os homens, mesmo que só no último momento, mudassem para melhor e demonstrassem o seu sincero esforço de se humilhar em sua soberba
Haetheine seguia o cometa e aguardava a ordem de O-dio-nar que a levasse a detê-lo ou a desviá-lo
Com o seu olhar claro já conhecia de antemão a intenção de Hareiars, com a qual ele fizera justamente aquilo que fizera
Em seu íntimo, inclinava-se diante de sua clarividência e da engenhosidade com que pusera tudo em movimento
Também ela tinha preparadas, de modo bem pensado, as forças para desviar o cometa de sua direção
Passou um ano terreno desde a advertência
Com um frêmito do manto de Hareiars, iluminou-se em sua cor vermelha o seu planeta, que circula no sistema solar nas proximidades da Terra, conhecido ainda hoje pelo nome de Marte, e anunciava que o seu senhor e administrador estava próximo
Os homens, entretanto, não davam atenção a nada, embora os astrônomos que observavam o céu noturno dessem o alarme e a suprema sacerdotisa da Atlântida enviasse aos reis um chamado de advertência sobre o castigo que se aproximava por sua soberba e pela soberba da mais alta nobreza que os rodeava
Passou outro ano, e o planeta de Hareiars aproximou-se tanto que era possível ver em sua superfície vermelha as crateras quase só com o olhar terreno
Parecia que a qualquer momento iria precipitar-se sobre a Terra
A sacerdotisa enviou outra mensagem de advertência aos reis, mas estes novamente a menosprezaram e a rejeitaram
O cometa voava, já havia percorrido grande parte de seu caminho pelo espaço e, com o seu fulgor, já aparecera entre as paletas de Apolo
Haetheine continuava sem ter a ordem de detê-lo
Entretanto, na Terra, a posição das estrelas e um singular acontecer nas profundezas de Erda despertavam temores nos homens
Sobre as suas cabeças apareceu no céu um pequeno cometa, e os reis perguntavam aos seus astrônomos se era ele a causa de tudo aquilo que estava acontecendo
Os astrônomos da Atlântida confirmaram que o cometa se aproximava da Terra, mas ao mesmo tempo calcularam que passaria ao largo da Terra
A pura sacerdotisa da Atlântida, de sua residência distante, enviou aos reis uma última carta urgente, na qual escrevia que a causa de todo o acontecer era a arrogância do espírito humano na Terra
Ela mesma, interiormente clarificada, deixou depois o seu invólucro terreno e retornou ao seu lar – aos jardins espirituais de sua senhora Astarte
Os reis já perdiam o domínio sobre a sua influência, pois do corpo de Erda saía fumaça em muitos lugares e a terra tremia sob os pés de todos
Os grandes dragões, que até então tinham servido fielmente aos homens, recusaram-se ao serviço e voaram para as altas montanhas, onde costumava ser a residência da suprema sacerdotisa da Atlântida
A proximidade da estrela vermelha de Hareiars fazia com que entre os homens na Terra irrompessem doenças que sem piedade os privavam da vida
Começou o terceiro ano desde o golpe de lança de Hareiars
A terra fendeu-se em muitos lugares, e dela jorrou uma fonte incandescente de magma
Do céu caía uma chuva de um vermelho escuro, e o céu cobriu-se de escuridão
Os astrônomos já não podiam observar o céu, pois já não havia uma única noite clara que o permitisse
Então, apesar disso, um clarão percorreu o céu, como se uma corrente de estrelas se tivesse rompido e estas se precipitassem sobre a Terra
Os homens da Atlântida, acostumados a que tudo o que é enteal se sujeitasse à sua vontade, começaram pela primeira vez a temer pelo seu destino
Escondidos em suas grandes residências de pedra, tremiam no medo daquilo que viria
Por um momento, porém, pareceu que tudo cessara, mas o silêncio que se espalhou era mais sinistro do que o estrondo anterior e os tremores de terra
Foi apenas um breve momento em que a natureza, juntamente com os homens, respirou aliviada da pressão opressiva
As pesadas nuvens no céu começaram a afastar-se, e parecia que se mostraria de novo o céu claro com o sol
Logo em seguida, porém, os homens gritaram de pavor
A Lua, que desde sempre circulava em sua órbita, apareceu-lhes de repente entre as nuvens escuras mais próxima do que de costume, e continuava a aproximar-se
Muitos avistavam a figura de Celeine, que estava de pé sobre um grande disco luminoso que rolava em direção à Terra
O seu rosto estava indizivelmente triste, pois no seu corpo material, a Lua, no lado afastado da Terra, havia colidido o cometa posto em movimento por Hareiars, que com isso a desviou de sua órbita
Não foi um golpe forte, mas mesmo assim desviou a matéria da Lua para mais perto da Terra
Não foi de fato muito, mas bastou para o fenômeno que tinha de vir
A proximidade de Celeine despertou Okeanos e Poseidon para uma enorme atividade
Tudo tremia, enquanto as poderosas forças de dois corpos cósmicos atuavam um sobre o outro com mútuas forças de atração
O corpo do lar material de Celeine sugava, com a sua proximidade, a água para o alto
Todos os mares e oceanos transbordaram de suas margens e, semelhantes a uma única onda poderosa, precipitaram-se para o interior dos continentes
Enquanto a Terra girava, surgiu uma onda centrífuga que, puxada pela força do corpo da Lua, transbordava por sobre os mais altos cumes das montanhas
A água do mar passou por cima da cidade de Orokun e também por cima de sua própria residência, que durante décadas fora fortificada contra intervenções externas
Como se esses obstáculos nem existissem, a água avançava por cima das muralhas, para logo em seguida cair nos fossos profundos, que jamais ninguém devia transpor
Ela, porém, num instante os preencheu e prosseguiu irresistivelmente em seu caminho, cada vez mais alto
Arrastando, espumante, tudo o que lhe estava no caminho, irrompia pelos vastos bairros de imponentes palácios de pedra e aproximava-se do mais vasto deles – da residência de Orokun
Em resignação, depois de primeiro se esforçar por ajudar onde era possível, ali estava o soberano da Atlântida, e o seu olhar observava como aquilo de que ele e a sua sublime nobreza dos Armani tanto se orgulhavam desaparecia agora, num breve instante, no bramido espumante das águas do mar
Tudo estremecia enquanto as construções se precipitavam nas águas, e quando a água chegou ao palácio de Orokun, ele, de pé entre as poderosas colunas de sua cúpula, expôs o seu corpo às ondas das águas, que paralisavam tudo com a sua frieza glacial incomum
A onda levou o seu corpo adiante até as mais altas montanhas, de onde o seu olhar devia contemplar ainda pela última vez a ruína de sua terra
Depois que o espírito de Orokun se desligou, o seu corpo forte enrijeceu completamente no frio da água e afundou na profundeza que agora já se estendia por toda parte onde antes havia vida florescente e pomares abençoados, cultivados pelos habitantes trabalhadores da Atlântida, que pertenciam à casta mais baixa e aos escravos
Agora não havia ali nem homens nem árvores, nem mesmo construções, que se afundavam enquanto, sob a pressão da água, se abriam as placas do continente, que nas dezenas de milhares de anos seguintes haveria de se tornar profundo fundo do mar
Foi um acontecer cheio de horror, que na fúria dos elementos não conhecia piedade de nenhuma criatura viva
Por fim desmoronou também o reino mais luminoso de Ororun, que resistiu por mais tempo, pois fora construído como um reino aquático que flutuava na superfície do oceano
As construções, que antes haviam flutuado na superfície durante milênios inteiros, embora fossem de origem pétrea, desagregavam-se agora e, num lento afundar, submergiam nas profundezas das águas escuras
Justamente esses restos das construções do reino de Ororun emergirão num determinado tempo, para testemunhar à humanidade de hoje a soberba de uma antiga civilização que, com o seu conhecimento espiritual, estava contudo muito mais alto do que se encontra a humanidade de hoje
Colunas como os homens até hoje não viram testemunharão que nenhuma presunção humana pode alcançar mais alto do que o permite a sábia Vontade de Deus
Como imagens dos antigos, tudo isso testemunhará e advertirá, semelhante a um grande memento da ruína que hoje de novo se ergue diante da humanidade atual
Já então essas imagens foram fixadas nos fios dos Vaenen, para que no tempo certo dessem testemunho à humanidade terrena, muito mais fraca e mais frágil do que era a geração dos atlantes
Com assombro, Haetheine seguia tudo isso, ela que naquele tempo chegara à Terra
Via também os fios dos Alphar e via também como através desses fios fluía a Luz, trazendo compensação e purificação
“Justiça do Pai de todos os Mundos”, sussurrava para si a servidora, que sabia agora, e já desde algum tempo antes, que não seria chamada para deter e que a tarefa de Hareiars seria consumada até o fim completo
Como uma pequena esfera branco-acinzentada, a Lua rolava em torno da Terra, ora encontrando-se por um momento mais perto, ora de novo mais longe
Mais de quarenta dias e noites a Lua oscilou, e a sua influência mantinha todas as águas muito acima de seus lugares
Sob a Atlântida, por influência da proximidade da Lua e também graças ao trabalho anterior dos Rizuns, afundou toda a massa montanhosa, e a ilha outrora tão magnífica e florescente submergiu com todos os homens e animais nas profundezas, onde o magma incandescente a tragou, e em seguida as águas do oceano se fecharam sobre a maior parte do enorme continente
Como advertência, restaram desse grande continente apenas algumas pequenas ilhas, que perduraram até hoje
A grande oscilação da Lua durou muitos dias
Só então, por ordem de O-dio-nar, foi permitido a Haetheine aproximar-se da Lua e, com o seu delicado toque, estabilizá-la em seu desvio e reconduzir a sua órbita em torno de Erda
Tudo gradualmente se abrandava e se acalmava
Durante anos terrenos inteiros a água baixou lentamente de volta para os lugares dos oceanos e também preencheu o espaço onde outrora se erguia a poderosa Atlântida
Essa intervenção no corpo de Erda fez com que os continentes que foram poupados da submersão total mudassem a sua aparência e também a sua altura, com a qual se erguiam acima dos oceanos
Também pela influência da proximidade incomum da Lua deslocou-se o eixo do planeta, e este de repente ficou sujeito a um novo ciclo das estações do ano
As novas costas que emergiram foram reverdecendo gradualmente, à medida que chegavam a esses lugares as Siphe – entes enviados que cuidavam das primeiras plantas fixadas nos alvos rochedos emersos ou nas planícies lodosas que se estendiam ao longe para o interior
Rapidamente a vida voltava para onde fora arrebatada pelas águas para as profundezas dos mares
Também ali onde antes nunca pudera haver verdor, pois anteriormente tais superfícies se encontravam sob a água do mar, estendiam-se agora superfícies de férteis pastagens que brilhavam como musgo
Emergiu de novo uma grande parte do atual arquipélago que se chama Irlanda, Escócia e também Inglaterra, que até então fora apenas uma pequena ilha
Emergiram também outras partes dos continentes, que até então tinham sido fundo submarino
O peso do continente da Atlântida que afundava empurrou-as para a superfície e fez delas vastas costas
Aos lugares recém-emersos chegavam os animais, que antes tinham sido cuidadosamente conduzidos para longe por pequenos servidores enteais e assim puderam ser poupados como por milagre
Novamente despertava uma nova vida em toda parte onde ainda há décadas reinara a ruína
A Terra tornava-se gradualmente de novo bela, como se tivesse saído outra vez da oficina dos primeiros Alphar e Elfos
E assim aconteceu que, depois de um tempo mais longo, longe das águas do oceano, apareceram nas altas elevações de alguns continentes os primeiros homens, aos quais foi permitido sobreviver ao terrível acontecer, para fundar uma nova estirpe humana e assim lançar o fundamento para um novo desenvolvimento da humanidade na Terra
Esses homens já não tinham nenhum saber da Atlântida, pois o seu pé terreno nunca pisara esse continente tão rico e poderoso
Eram homens que só agora deviam ser conduzidos de novo ao reconhecimento, de tal modo que em sua ignorância terrena pudessem avançar mais rapidamente, e por isso lhes foi enviado por Deus Pai, como auxílio, um forte guia da esfera divinal
O Arcanjo Lúcifer, escolhido para o serviço que lhe fora destinado, descia através das esferas e mergulhava rumo às
profundezas das materialidades, para iniciar a sua tarefa
Estava convencido de que nessa tarefa extraordinária e inesperada se sairia brilhantemente e de que todos em toda a Criação, e também os demais Arcanjos, lhe expressariam os seus respeitosos agradecimentos
Haetheine concluiu a sua parte da tarefa e voltou ao seu palácio radiante nas proximidades de Valhalla
Celeine de novo circulava calmamente em torno da Terra e reconhecia bem que a esses homens, que de novo se encontravam na Terra, não seria conhecido durante milênios inteiros com que auxílios ela os agraciava, e por isso se perderiam cada vez mais em seu isolamento dos amigos e próximos que habitam nas esferas de planos mais finos
Via como a fenda entre o mundo terreno e as demais partes da obra da Criação haveria de aumentar e como ela própria não poderia mudar isso
Isso só os próprios homens teriam de querer mudar
Fim da segunda parte