O Clarear da Chama do Espírito – os Rios do Querer Auxiliador

O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 20 de agosto de 2020

Original tcheco: Zjasňování Plamene Ducha – Řeky Pomáhajícího Chtění · cesta-gralu.cz

Um grande avanço na maturidade espiritual é, para o ser humano que se esforça em direção à Luz, o instante em que nele se vivifica um querer íntegro, por nada condicionado, de ajudar as outras pessoas

É uma mudança fundamental na percepção do verdadeiro ser quando o espírito vivencia a vontade, já inseparável de si, de ajudar as outras pessoas em seu caminho para a Luz

Não há muitas pessoas tais na Terra que trocariam os seus próprios interesses e a sua comodidade pela pura alegria que o íntimo do ser humano pode vivenciar justamente no instante em que ajuda os outros, ao preço da própria diminuição e da própria moderação

Isso nunca deve ser algo que o ser humano põe de lado após uma luta interior consigo mesmo, mas deve ser o resultado de um estado do íntimo, alcançado somente na completa sintonia da clareza e da grandeza interiores com que ele se aproxima do sublime serviço à Luz

Nessa decisão é preciso que haja o mais alto grau de desimpedimento e de liberdade

A tal grau, porém, amadurecem apenas poucos

Isso porque a condição para tal disposição do íntimo é o pleno vivenciar da consciência do espírito maduro, quando ele então doa toda a sua força e as suas capacidades plenamente ao serviço da Luz

Embora nas alturas da Luz algo assim seja um acontecer inteiramente natural, aqui na Terra o precede muitas vezes o vivenciar das mais fortes transformações no ser humano, as quais trazem o desprendimento de tudo aquilo que forma a necessidade de destaque pessoal e de afirmação na vida para si mesmo

Nessa disposição, na necessidade de satisfazer os próprios desejos e também de se afirmar de tal modo que isso seja apreciado pelas outras pessoas, encontra-se a maior parte dos homens terrenos com os seus esforços na vida

Não são, porém, apenas aqueles desejos que conduzem ao anseio de visibilidade e de glória, de domínio sobre os outros, como poderia parecer, mas esse estado de afirmação de si mesmo oculta-se com a maior frequência justamente também nas menores coisas

Não é, pois, apenas o forte vivenciar de possuir coisas, de provar dos grandes sentimentos de satisfação por algo terrenamente muito estimado e reconhecido, mas esse cumprimento de desejos está oculto nos mais finos frêmitos do querer de espécie quase invisível, que, no entanto, no resultado se ergue como obstáculo contra a bênção do serviço auxiliador à Luz

Por exemplo, é a vontade de apegar-se à calma e ao repouso habituais num tempo em que era justamente muito mais valioso pensar nos outros e empregar as próprias forças em algo importante, em ajudar as outras pessoas

Também pode estar habilmente oculto nas necessidades de ancorar-se em algum ritmo de vida já estabelecido, o qual, porém, pode manifestar-se como um freio para o emprego das forças necessárias ao auxílio do próximo

A realização de passatempos queridos ao ser humano, que são deleite sobretudo apenas para ele mesmo, por mais que sejam em geral considerados pelas pessoas como atividades muito nobres, tudo isso tem muitas vezes uma raiz que se prende profundamente no pensar em si mesmo em primeiro lugar

Milhares de horas dedicadas ao próprio corpo, ao lar, ao jardinzinho, às viagens, ao estudo das ciências e das filosofias, e ainda a dedicação de tempo precioso a muitas outras coisas que existem na Terra, tudo isso pode facilmente passar de um vivenciar saudável e natural da vida para o grau de um ensimesmamento no próprio mundo, quando tal estado traz então necessariamente a perda daquilo que é mais precioso – o progresso para a maturidade espiritual do ser humano na ligação com as outras pessoas

Há muitas espécies de ensimesmamento, em que por fim fica inteiramente perdida a direção principal do esforço do espírito aqui na Terra

Assim pode ser justamente também a inclinação a uma comodidade de variadas formas, que muitas vezes se esconde habilmente atrás da máscara exterior da modéstia e da humildade, com a qual o ser humano justifica para si a sua má vontade em ajudar as outras pessoas

Muitas vezes, então, tais pessoas ensimesmadas guardam em seus próprios pensamentos, por exemplo, palavras já formadas

“Não sou eu quem deve inventar como ajudar hoje as outras pessoas. Para isso sou pequeno e insignificante demais. Para algo assim, que haja outros”

Ou então soará na cabeça de tal pessoa um pensamento cheio de desculpas

“Sim, alguém deveria finalmente fazer algo pela melhoria do mundo. Mas tem de ser algum outro que não eu, pois isso não se pode mudar apenas com algumas pequenas coisas, para as quais eu, de qualquer modo, mal sou suficiente”

Outras vezes o ser humano já quase se decide a fazer algo, mas nele isso termina, por fim, numa condição do intelecto

“Naturalmente estou pronto, se algum dia no futuro me pedir ajuda numa questão concreta uma pessoa que, do meu ponto de vista, seja ideal em todos os aspectos e atue inequivocamente pela boa causa. A alguém assim estarei disposto a apoiar com todas as minhas forças em seu ajudar aos outros Até agora, porém, não encontrei ninguém assim”

E também muito frequentemente ressoa uma voz de escusa

“Eu gostaria tanto de fazer algo mas ainda preciso providenciar estas e aquelas coisas importantes e então logo estarei pronto para me ocupar em ajudar as outras pessoas”

Há infinitamente muitos desses momentos em que a consideração por si mesmo e pelos seus pequenos desejos é um obstáculo para o verdadeiro ajudar as outras pessoas

É um sinal de certa falta de liberdade do espírito, que está enredado nos laços da visão terrena da vida

Quase sempre vale que se trata de alguma espécie de querer vivenciar algo que ainda se desvia para caminhos secundários, diferente do que exige a verdadeira direção do querer auxiliador para as outras pessoas, pleno de amor

O espírito, porém, que despertou na Luz, vive por si mesmo no querer auxiliador do seu íntimo e não pode fazer outra coisa senão buscar continuamente caminhos sempre novos

Vale, pois, que aquele que ainda precisa aqui na Terra de vivências para si, para o seu provar de variadas experiências, esse ainda não é espiritualmente livre em seu íntimo, pois dele ainda não se desprenderam todos os desejos de espécie material

Esse não deve nem sequer forçar-se e lutar dentro de si, porque somente o livre despertar para a vontade de querer ajudar os outros é o momento certo da transformação do seu espírito

O seu espírito avançará e se aproximará do instante em que lhe será dado beber da fonte da eterna plenitude de amor da Luz de Deus

Somente aquele que, interiormente de todo livre, se eleva acima da sua dimensão pessoal do ser com o grande desejo de ajudar os outros, somente esse encontrará a plenitude e a alegria de espécie mais elevada, que o ligarão depois muitas vezes mais à Luz nas alturas da Criação

O seu espírito abrirá caminho para a liberdade na qual, num tomar de fôlego, por fim captará um lampejo do ser dos bem-aventurados nas alturas luminosas, onde esses bem-aventurados vivem continuamente numa felicidade auxiliadora e plena de amor, na qual atuam, em ligação com a sábia Vontade de Deus, pelos outros

Uma felicidade que plenifica entrará em sua vida e em cada novo dia lhe trará o reconhecimento de elevada sabedoria espiritual, se ele prosseguir perseverante e corretamente e não se desviar da direção principal de novo para algum dos caminhos secundários

Cada nova vivência abrirá diante dele uma perspectiva mais completa da verdadeira compreensão do que é o real ser espiritual no grande Lar do Criador

A cada progresso do seu espírito, ele conhecerá a simplicidade e a transparente singeleza em que se desenrola todo o ser de todos os habitantes da obra da Criação plenos de luz

Nesse vivenciar ele tecerá cada vez mais facilmente aquelas correntes do querer auxiliador para a humanidade terrena, aquelas correntes que são semelhantes a poderosos rios da Luz

Esses rios luminosos se aproximarão dele para elevá-lo e conduzi-lo, e ele então pode ajudá-los a encontrar, sábia e convenientemente, a direção para outras pessoas

Ser-lhe-á possibilitado viver fácil e livremente, como se com uma parte do seu eu já se encontrasse permanentemente na Luz do lar espiritual

A sua libertação consistirá também em que interiormente ficará livre de vivenciar os ataques e as hostilidades das outras pessoas e, em seu ingresso no verdadeiro querer de espécie auxiliadora, suportará com maior leveza a imaturidade e a baixeza que talvez se lhe ponham no caminho na forma de pessoas que ainda trazem em si a própria infelicidade, as fraquezas e os erros

Ele, porém, não as perceberá como aquelas que o freiam, pondo-se como obstáculo em seu caminho, não verá nelas inimigos, mas estará consciente de que são aquelas que até agora ainda não se libertaram da confusão do mundo terreno, dos seus estreitos limites de julgamento, e que, nessa sua percepção, não querem compreender as pessoas que anseiam ajudar com amor os homens no serviço da Luz

Suportará com certa compreensão consciente o fato de que muitas pessoas não podem reconhecer os seus próprios motivos para o serviço auxiliador aos outros, sem necessidade de glorificação e enaltecimento, e pressentirá que da parte dessas pessoas sempre pode facilmente surgir a possibilidade de lhe imputarem interesse próprio e objetivos secundários, pois aqueles que assim pensam partem na maioria das vezes das experiências que até agora tiveram com outras pessoas, ou partem diretamente das próprias intenções e desejos

Nem para tais pessoas, nem para todas as outras pessoas olhará com pensamentos de amargura e com o desejo de desagravo no vivenciar ulterior delas

Pleno de Luz em seu íntimo, transmitirá a Luz adiante e procurará sempre, em primeiro lugar, ser prestativo ao esforço humano em todos os degraus, quando se mostrar a necessidade de proporcionar às outras pessoas auxílio eficaz para o fortalecimento de sua autoconfiança e de sua esperança no caminho da vida

Envolto e permeado pela Luz, deve manter-se em seu serviço sábia e amorosamente

Somente em tal sintonia consciente, através do ser humano inteiramente aberto à Luz, pode fluir para a Terra o auxílio abençoado, contendo reforço e fortalecimento, que refrescam o indivíduo e o todo

Ele transmite esse auxílio da Luz sem separar dele algo para si mesmo, ou sem esperar por isso, na Terra ou no céu, gratidão e renome

Ele simplesmente dá, no auxílio aos outros, em todos os planos do seu ser, porque o seu íntimo não pode agir de outro modo

Dá, porque o seu espírito vivencia nesse dar incondicional a plenitude da felicidade e da alegria interiores

Que é, diante disso, a compreensão do mundo terreno

Da Luz ele tece auxílio e bênção, e tudo o mais não é para ele comparável em sua sublimidade e grandeza, que ele encontra justamente no dar-se aos outros

Tal é a imagem daqueles que através de si encaminham para esta Terra as correntes dos rios auxiliadores da Luz

Apenas poucos dentre os homens amadureceram em seu espírito a ponto de se porem inteiramente, com toda a sua consciência, no serviço da Luz, sem esperar por isso nada de especial como compensação

A pura alegria que daí decorre sacia o seu espírito como uma compensação mais do que abundante, que eles mesmos na verdade nem sequer percebem, pois já a própria tomada de consciência disso arrebataria uma parte da sacralidade da sublime vibração de toda a sua sintonia, com a qual servem a Deus em amor

Oh, se houvesse na Terra o maior número possível daqueles que nutrem o seu espírito da Luz e não esperam por isso o louvor e a honra humanos

Oxalá houvesse na Terra bastantes daqueles que, em seu pensar e agir, tecem desde as alturas os raios do puro amor, através do qual podem afluir à Terra correntes inteiras de auxílio prestativo, destinadas ao refrigério de todas as almas ainda vivas e sãs em seu íntimo, que se encontram aqui neste tempo